- Ilha Furtada, conhecida como “Ilha dos Gatos”, abriga mais de 700 felinos abandonados desde a década de 1950; fica a cerca de oito quilômetros da costa de Mangaratiba.
- A sobrevivência dos gatos depende de voluntários e de barqueiros que cobram até R$ 150 para levar animais até as pedras da praia; a ilha não possui água doce suficiente.
- O projeto “Uma Só Saúde na Ilha Furtada” reúne a UFRJ, Fiocruz, CRMV-RJ, o Instituto Boto Cinza e a Prefeitura de Mangaratiba para entender impactos e buscar soluções.
- Pesquisas apontam circulação do protozoário Toxoplasma gondii; anticorpos foram encontrados em parte dos gatos, com risco de contaminação da água e de organismos marinhos na região.
- A partir de 2024, medidas de manejo populacional e punições por abandono passaram a vigorar, com necessidade de monitoramento ambiental contínuo.
A Ilha Furtada, conhecida como Ilha dos Gatos, abriga mais de 700 felinos abandonados entre Mangaratiba e Angra dos Reis, na Costa Verde do RJ. O fenômeno começou na década de 1950, com um breve desembarque de uma família, levando ao abandono ao longo dos anos.
Barqueiros cobram até R$ 150 para transportar gatos até as pedras da praia, contribuindo para o acúmulo da população. A ilha fica a cerca de 8 km da costa, sem água doce disponível, exigindo apoio constante de voluntários para alimentação e assistência veterinária.
Acesso difícil e áreas íngremes levaram à instalação de cordas para a circulação das equipes. A situação motivou a criação do projeto “Uma Só Saúde na Ilha Furtada”, envolvendo universidades, instituições de pesquisa e a prefeitura de Mangaratiba.
Contexto ambiental
A atuação conjunta de UFRJ, Fiocruz, CRMV-RJ, Instituto Boto Cinza e prefeitura busca entender os impactos ecossistêmicos da grande população felina. Estudos avaliam riscos de infecção por Toxoplasma gondii no ambiente costeiro.
Anticorpos contra o parasita foram encontrados em parte dos gatos avaliados, e oocistos excretados por felinos podem contaminar águas pluviais e o mar, elevando preocupações sanitárias para a região.
Implicações para a saúde pública
Especialistas destacam que a toxoplasmose está associada ao contato com fezes contaminadas e alimentos crus ou mal higienizados. Mesmo com retirada dos felinos, o parasita pode permanecer viável por meses ou anos no ambiente.
Pesquisas também investigam impactos na fauna marinha local, incluindo casos de toxoplasmose em golfinhos no litoral fluminense, para entender possíveis conexões com a contaminação ambiental da ilha.
Medidas e andamento
Após retorno da gestão da ilha à União em 2024, foram estabelecidas regras para manejo populacional e endurecimento de punições a abandono. A equipe multidisciplinar continua monitorando a situação e buscando soluções de longo prazo.
A Costa Verde, seguida por Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty, é conhecida por ecoturismo e biodiversidade. A região depende do turismo e enfrenta desafios ambientais decorrentes do abandono de animais em áreas insulares.
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