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Limpeza de residências de falecidos gera polêmica e discussão na comunidade

Cresce a demanda por limpeza pós-morte no Brasil, diante do aumento de mortes solitárias e desafios emocionais enfrentados pelas famílias

Limpamos o que outros não devem, não podem ou não querem fazer, diz um dos lemas da Biodecon, empresa fundada em 2019 e que já limpou locais de morte por toda São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram)
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  • O corpo de Maria Auxiliadora, de 75 anos, foi encontrado em seu apartamento na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, após meses em decomposição.
  • A situação foi descoberta quando sua filha, uma farmacêutica, passou mal e chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
  • A empresa Attuale Brasil, especializada em limpeza forense, foi contratada para realizar a descontaminação do local, que durou seis dias e envolveu a remoção de móveis e pisos.
  • Clícia Mulet, fundadora da Biodecon, também atua no setor após enfrentar uma tragédia familiar em 2018. Sua empresa se tornou referência em São Paulo, com serviços a partir de R$ 4 mil.
  • O setor de limpeza pós-morte está crescendo no Brasil, refletindo a necessidade de lidar com mortes solitárias e a falta de profissionais qualificados na área.

Assim que entrou no apartamento de Maria Auxiliadora, em Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, o empresário Paulo Ferreira da Silva sentiu uma “energia pesada”. O corpo da mulher, de 75 anos, havia sido encontrado após meses em decomposição, quando sua filha, uma farmacêutica, passou mal e chamou o Samu. A situação, que chocou a comunidade, destaca a crescente demanda por serviços de limpeza pós-morte no Brasil, um setor ainda em desenvolvimento em comparação aos Estados Unidos.

Ferreira é sócio da Attuale Brasil, uma das poucas empresas especializadas em limpeza forense no país. O trabalho da Attuale envolve a descontaminação de ambientes onde ocorreram mortes, removendo resíduos biológicos como sangue e secreções. A empresa não realiza a remoção do corpo, tarefa que cabe ao Instituto Médico Legal. Após a descoberta do corpo de Maria Auxiliadora, Ferreira e sua equipe foram contratados pela neta da falecida para realizar a limpeza, que durou seis dias e exigiu a remoção de móveis e pisos contaminados.

Crescimento do Setor

A história de Maria Auxiliadora não é um caso isolado. Clícia Mulet, fundadora da Biodecon, uma concorrente da Attuale, também entrou no ramo após uma tragédia familiar. Em 2018, um tio de Mulet faleceu sozinho em casa, e a família enfrentou a difícil tarefa de limpar o local. Desde então, a Biodecon se tornou uma referência em limpeza pós-morte em São Paulo, oferecendo serviços que podem custar a partir de 4 mil reais.

Ambas as empresas enfrentam desafios únicos, especialmente no Rio de Janeiro, onde a falta de qualificação dos profissionais de remoção de corpos pode deixar vestígios perigosos. Ferreira e Mulet compartilham a missão de lidar com a morte e a solidão, um fenômeno crescente no Brasil, onde 18% dos lares são ocupados por uma única pessoa.

Desafios e Realidades

Os profissionais de limpeza forense utilizam equipamentos de proteção completos e enfrentam o odor insuportável da decomposição. Ferreira e Mulet relatam que, apesar de suas experiências, o cheiro da morte nunca se torna familiar. O trabalho exige não apenas habilidades técnicas, mas também sensibilidade, já que muitas vezes lidam com famílias em luto ou acumuladores que enfrentam dificuldades emocionais.

O setor de limpeza pós-morte, embora ainda pequeno no Brasil, está se consolidando como uma necessidade social. Com o aumento das mortes solitárias e a crescente demanda por serviços especializados, empresas como Attuale e Biodecon se tornam essenciais para lidar com as consequências de uma sociedade em transformação.

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