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Pesquisador destaca os perigos do sedentarismo para a saúde mental em evento na Alesp

Painel alerta para a urgência de políticas públicas que integrem saúde mental e atividade física no Brasil, diante do aumento de transtornos mentais

Segundo Werneck, da USP, ainda faltam intervenções consistentes além do aconselhamento. “A lei que restringe o uso do celular dentro das escolas foi uma grande realização”, avalia (Foto: PVP Productions/Freepik)
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  • A relação entre comportamento sedentário e saúde mental foi debatida em painel do Instituto do Legislativo Paulista (ILP) em 19 de agosto, durante a Semana da Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
  • André de Oliveira Werneck, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), destacou a falta de políticas públicas para promover atividade física no Brasil.
  • Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2023 mostram que 5% da população mundial sofre de transtornos depressivos. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) aponta que 10,8% da população é afetada por depressão e 9,3% por transtornos de ansiedade.
  • Werneck apresentou estudos que indicam que substituir tempo sedentário por atividade física pode reduzir a incidência de depressão. O uso excessivo de telas, especialmente entre adolescentes, está associado a um maior risco de sofrimento psicológico.
  • Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria sugerem limitar o uso de telas para crianças e adolescentes, mas Werneck acredita que são necessárias intervenções mais robustas.

A relação entre comportamento sedentário e saúde mental foi debatida em painel promovido pelo Instituto do Legislativo Paulista (ILP) no dia 19 de agosto, durante a Semana da Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O evento contou com a apresentação de André de Oliveira Werneck, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Ele destacou a ausência de políticas públicas voltadas para a promoção da atividade física no Brasil e a necessidade de tratar saúde física e mental de forma integrada.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2023 indicam que 5% da população mundial sofre de transtornos depressivos. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) revelou que 10,8% da população é afetada por depressão, enquanto a prevalência de transtornos de ansiedade é de 9,3%, a maior do mundo. Em São Paulo, essa taxa chega a 19,9%, segundo pesquisa do Hospital das Clínicas. Werneck enfatizou que transtornos mentais aumentam o risco de doenças, especialmente cardiovasculares, e podem começar na adolescência.

Estudos britânicos apresentados por Werneck mostram que substituir tempo sedentário por atividade física reduz a incidência de depressão. Um estudo sueco também revelou que comportamentos sedentários mentalmente passivos estão associados a uma maior incidência de transtornos depressivos. O pesquisador ressaltou que a troca de três horas de comportamento sedentário passivo por atividades mentalmente ativas pode ser mais viável do que a substituição por exercícios físicos.

O uso excessivo de telas, especialmente entre adolescentes, foi outro ponto abordado. Pesquisa indica que aqueles que passam mais de três horas em atividades sedentárias passivas têm maior risco de sofrimento psicológico. Por outro lado, o uso moderado de telas para atividades educacionais é considerado um fator protetor. Werneck alertou que o tempo em frente às telas reduz interações sociais e afeta a qualidade do sono.

Recomendações para mitigar os efeitos do sedentarismo incluem diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria. Crianças menores de dois anos não devem ser expostas a telas, enquanto o uso deve ser limitado a uma hora para crianças até cinco anos e a três horas para adolescentes. O governo federal lançou um guia sobre o uso de dispositivos digitais, mas Werneck acredita que faltam intervenções mais robustas. O evento contou com a participação de especialistas da área de saúde e foi mediado por Tacyra Valois, vice-presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig).

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