- Um estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia identificou os “superidosos”, pessoas com 80 anos que mantêm memórias jovens.
- Esses indivíduos apresentam traços de personalidade extrovertida e cérebros estruturalmente diferentes, com maior quantidade de neurônios sociais.
- A pesquisa, liderada pelo neurologista Marsel Mesulam, analisou 290 superidosos e constatou que a sociabilidade é um fator comum entre eles.
- Os cérebros desses superidosos mantêm espessura cortical estável, especialmente no córtex cingulado anterior, que está relacionado a emoções e decisões.
- A socialização é destacada como um fator protetor contra o declínio cerebral, enquanto a solidão pode aumentar o risco de demência.
A pesquisa recente publicada na revista *Alzheimer’s & Dementia* revela que os chamados “superidosos”, indivíduos com 80 anos que mantêm memórias jovens, compartilham características de personalidade extrovertida e apresentam cérebros estruturalmente distintos. Esses achados desafiam a noção de que o envelhecimento inevitavelmente leva à perda de memória.
O estudo, liderado pelo neurologista Marsel Mesulam, analisou 290 superidosos e mostrou que, apesar de não seguirem dietas específicas ou rotinas de exercícios, todos têm em comum uma abordagem positiva em relação a relacionamentos. A sociabilidade é um traço marcante, com esses indivíduos possuindo mais neurônios de von Economo, que estão associados ao comportamento social, em comparação com seus pares mais jovens.
Além disso, os cérebros dos superidosos mantêm uma espessura cortical estável, sem o afinamento típico do envelhecimento. O córtex cingulado anterior, crucial para emoções e decisões, é mais espesso, o que pode contribuir para a preservação da memória. A Dra. Tamar Gefen, coautora do estudo, destaca que esses vínculos sociais vão além de conexões superficiais, envolvendo laços profundos com a família e a cultura.
Impacto da Socialização
A pesquisa também sugere que a socialização pode proteger contra o declínio cerebral associado à idade. A solidão, por outro lado, pode elevar os níveis de cortisol, levando a inflamações que prejudicam os neurônios e aumentam o risco de demência. A Dra. Sofiya Milman, especialista em longevidade, observa que centenários saudáveis frequentemente compartilham a mesma extroversão e uma visão otimista da vida.
Estudos anteriores indicam que a longevidade é influenciada em 25% pelos genes e em 75% pelo ambiente e estilo de vida. Um painel da *Lancet* estimou que até 45% dos casos de demência poderiam ser evitados com exercícios regulares e moderação no consumo de álcool. Agora, a pesquisa reforça que ser sociável é um fator crucial para envelhecer com qualidade e manter a saúde cerebral por mais tempo.
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