- A Somália enfrenta uma grave crise humanitária, agravada por conflitos e um sistema de saúde fragilizado.
- Recentes cortes de financiamento dos Estados Unidos resultaram no fechamento de clínicas, aumentando a incidência de doenças infecciosas e desnutrição severa, especialmente entre crianças e gestantes.
- Em julho, uma mulher perdeu um filho doente de sarampo após percorrer longas distâncias em busca de atendimento.
- O fechamento de clínicas duplicou os casos de sarampo, difteria e cólera, com mais de 46 mil casos registrados, sendo 60% crianças menores de cinco anos.
- Aproximadamente 500 mil crianças enfrentam desnutrição aguda severa, e a falta de acesso a água potável contribui para a propagação de doenças.
A Somália enfrenta uma grave crise humanitária, intensificada por conflitos, desnutrição e um sistema de saúde fragilizado. Recentes cortes de financiamento dos EUA resultaram no fechamento de clínicas, aumentando a incidência de doenças infecciosas e desnutrição severa, especialmente entre crianças e gestantes.
Em julho, uma mulher chegou ao Hospital Regional de Bay com dois filhos doentes de sarampo. O mais novo, de dois anos, faleceu logo após a entrada. A falta de serviços de saúde próximos obrigou essa mãe a percorrer longas distâncias para buscar atendimento. Yusra Shariff, coordenadora de Médicos Sem Fronteiras (MSF), destaca que essa situação força os pais a fazerem escolhas dolorosas entre seus filhos.
Os cortes de financiamento impactaram diretamente a saúde pública. Save the Children relatou que o fechamento de clínicas duplicou os casos de sarampo, difteria e cólera, passando de 22.600 para mais de 46.000. Aproximadamente 60% dos afetados são crianças menores de cinco anos. A difteria, que pode ser prevenida por vacinas, já registrou mais de 1.600 casos e 87 mortes em 2025.
Aumento da Desnutrição
A desnutrição severa é responsável por 50% das mortes entre crianças nessa faixa etária. Atualmente, cerca de 500 mil crianças enfrentam desnutrição aguda severa. O Grupo de Trabalho Técnico em Segurança Alimentar estima que 713 mil pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, um aumento em relação a janeiro.
Além disso, a falta de acesso a água potável, devido ao fechamento de sistemas de transporte, contribui para a propagação de doenças. Mohamed Farah, do Conselho Norueguês para Refugiados, alerta que a crise hídrica e a saúde estão interligadas. A Organização Mundial da Saúde registrou mais de 7.200 casos de cólera entre janeiro e agosto, com nove mortes.
Futuro Incerto
As organizações humanitárias alertam que, se a situação não mudar, a Somália pode enfrentar uma verdadeira crise até 2026. Millhia Kader, da Unicef, enfatiza que a interrupção do fornecimento de Alimentos Terapêuticos Listos para Usar pode deixar 466 mil crianças em risco de desnutrição grave. A falta de recursos compromete a vacinação e os serviços essenciais, aumentando a mortalidade materno-infantil.
A situação é crítica, e as organizações pedem uma resposta urgente da comunidade internacional para evitar um desastre humanitário ainda maior.
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