- Um estudo da Universidade de Michigan revela que químicos da fumaça do cigarro reprogramam o sistema imunológico, favorecendo o câncer pancreático.
- Os pesquisadores identificaram o receptor AhR em células T, que, ao serem ativadas, aumentam a produção de IL-22 e o número de células T reguladoras (Tregs).
- Essas células Tregs normalmente controlam a resposta imunológica, mas neste caso impedem as células CD8+ de atacar os tumores, permitindo seu crescimento.
- Experimentos mostraram que a fumaça do cigarro e o TCDD, um potente ligante do AhR, aceleraram o crescimento tumoral em camundongos com sistema imunológico intacto.
- O oncologista Najeeb Al Hallak destaca que parar de fumar é uma das melhores formas de reduzir o risco de câncer pancreático e recomenda apoio médico para a cessação do tabagismo.
Um novo estudo da Universidade de Michigan revela que químicos presentes na fumaça do cigarro reprogramam o sistema imunológico, favorecendo o crescimento do câncer pancreático. Embora a relação entre tabagismo e essa forma letal de câncer já fosse conhecida, os mecanismos exatos não estavam claros até agora.
Os pesquisadores identificaram o papel do receptor AhR em células T, que, quando ativadas, aumentam a produção de IL-22 e o número de células T reguladoras (Tregs). Essas células normalmente controlam a resposta imunológica, mas, neste caso, impedem as células CD8+ de atacar os tumores, permitindo que eles cresçam. O estudo, publicado na revista Cancer Discovery, destaca que o câncer pancreático tem uma taxa de sobrevivência de apenas 13% em cinco anos.
Os cientistas utilizaram experimentos em laboratório, modelos de camundongos e amostras de tecido humano para entender melhor a interação entre a fumaça do cigarro e o câncer. Eles descobriram que tanto a fumaça do cigarro quanto o TCDD, um potente ligante do AhR, aceleraram o crescimento tumoral em camundongos, mas apenas com um sistema imunológico intacto. Isso sugere que os químicos não danificam diretamente as células tumorais, mas alteram a resposta imunológica.
Além disso, amostras de tecido humano mostraram que fumantes apresentavam maior ativação da via AhR e mais Tregs em seus tumores. A quantidade dessas células supressoras estava relacionada à quantidade de tabaco consumido ao longo da vida. Os autores do estudo acreditam que essas descobertas podem levar a novas estratégias de tratamento que bloqueiem a ativação do AhR ou reduzam o efeito supressor das Tregs.
Especialistas alertam que, embora os resultados sejam promissores, mais pesquisas clínicas são necessárias para validar essas descobertas. O oncologista Najeeb Al Hallak enfatiza que parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de câncer pancreático. Ele recomenda que fumantes busquem apoio e orientação médica para facilitar a cessação do tabagismo.
Entre na conversa da comunidade