- Desde julho, cinco estrangeiros morreram no Centro de Detenção Provisória 1 de Guarulhos, em São Paulo, após a transferência de mais de mil presos da Penitenciária de Itaí.
- As mortes incluem um boliviano e um chileno e levantam preocupações sobre as condições do sistema carcerário.
- Defensores públicos relataram atrasos no envio de prontuários médicos, resultando na falta de medicamentos essenciais para os detentos.
- A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) instaurou uma investigação sobre as mortes, afirmando que os presos receberam atendimento médico, mas muitos apresentavam comorbidades.
- Inspeções revelaram falta de colchões, cobertores e alimentos, além de superlotação, com celas abrigando mais de 20 detentos, quando a capacidade é para 12.
Ao menos cinco estrangeiros morreram desde julho no Centro de Detenção Provisória 1 de Guarulhos, em São Paulo, após a transferência de mais de mil presos da Penitenciária de Itaí. As mortes, que incluem um boliviano e um chileno, levantam preocupações sobre as condições do sistema carcerário.
Defensores públicos relataram atrasos no envio de prontuários médicos, resultando na falta de medicamentos essenciais para os detentos. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) instaurou uma investigação sobre as mortes, afirmando que os presos receberam atendimento médico, mas muitos apresentavam comorbidades como hipertensão e diabetes.
A transferência dos 1.050 presos ocorreu em junho, e as duas primeiras mortes foram registradas em julho. O Núcleo Especializado de Situação Carcerária (Nesc) da Defensoria Pública destacou que os presos não estavam recebendo remédios como insulina e anti-hipertensivos, o que agrava o risco à saúde. Além disso, há relatos de superlotação, com celas abrigando mais de 20 detentos, enquanto a capacidade é para 12.
Condições Precárias
A inspeção realizada em agosto revelou a falta de colchões e cobertores, obrigando alguns presos a dormir no chão. A situação se agrava com a ausência de chuveiros quentes em algumas áreas, durante os dias mais frios do ano. Os detentos também relataram escassez de alimentos e a falta de itens básicos de higiene.
Entre os mortos, está Willy Renfijo Ajata, de 60 anos, que lutava para provar sua inocência em um caso de tráfico de drogas. Ele apresentava problemas graves de saúde, mas o atendimento médico foi tardio, segundo sua advogada. A Defensoria Pública enfatizou a ausência de atendimento médico regular e a falta de acompanhamento multiprofissional, o que contribui para o aumento das mortes no sistema carcerário.
No primeiro semestre de 2023, foram registradas 282 mortes de pessoas privadas de liberdade em São Paulo, sendo a maioria por causas naturais. A SAP informou que o CDP 1 de Guarulhos conta com médicos e enfermeiros, mas a situação crítica persiste, levantando questões sobre a eficácia do atendimento e a gestão do sistema prisional.
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