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Beber para esconder o medo: o álcool que virou problema

A ansiedade leva a usar álcool como fuga; Boozy agrava ataques de pânico e dissociação, levando à decisão de abandonar o hábito

Anxietyland by Gemma Correll
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  • Gemma Correll sofre de ansiedade e depressão desde a infância e, em 2018, morando em Oakland, passou a ter ataques de pânico recorrentes.
  • Ela compara a experiência a um parque temático chamado Anxietyland, com atrações como a Emotional Rollercoaster, Depression Obstacle Course e House of No Fun, além do Downward Spiral.
  • O pânico passou a dominar sem gatilho claro, levando-a a entender que sofria de transtorno de pânico, uma necessidade de encontrar saída para o ciclo de pânico.
  • A bebida alcoólica, apelidada de Boozy, acabou sendo a única ajuda encontrada para enfrentar o medo, mas tornou-se uma relação prejudicial.
  • Em 2002, ao tentar estudar Cambridge, enfrentou crise de ansiedade que a fez recuar, mudando de curso para artes e mantendo a companhia de Boozy; abandonar o álcool foi um começo, mas não resolveu tudo.

Gemma Correll repensa sua relação com a ansiedade ao longo de anos de busca por alívio. Em 2018, morando em Oakland, Califórnia, ela viveu uma temporada de ataques de pânico intensos que a fez circular pela cidade em busca de calma, sem sucesso. A narrativa faz parte de um excerto do livro Anxietyland.

A autora descreve que convivia com ansiedade e depressão desde a infância. Em Oakland, os episódios se agravaram de forma repentina, levando-a a identificar um mapa mental da doença, com parques temáticos internos que expressam medo, dissociação e descontrole. O relato traz uma visão crua sobre a pressão de controlar a própria mente.

Em meio ao descontrole, um apoio apareceu: o álcool, personificado pela bebida Boozy. Este relacionamento ganhou força após anos de tentativas de lidar com a ansiedade sem recursos eficazes. A dependência surge como reflexo de buscar alivio imediato, ainda que prejudique a estabilidade emocional.

Mudança de rumo e desdobramentos

Antes de morar nos EUA, Correll tinha passado por experiências marcantes na educação. Em 2002, ingressou em Cambridge, mas a ansiedade paralisante a levou a interromper o curso, passando dois meses em situação de pânico. Retornou a Ipswich, na Inglaterra, para estudar artes, encontrando tempo para o esboço de ilustrações que mais tarde conectariam-se ao seu estilo.

A autora relata que, apesar de abandonar progressivamente o consumo de álcool, não houve solução imediata para todas as dificuldades. A retirada parcial ajudou, porém, a entender que o tratamento da ansiedade requer abordagens diferentes das utilizadas apenas para o consumo de substâncias.

Este texto integra Anxietyland, obra de Gemma Correll publicada pela Penguin. O livro propõe olhar para a ansiedade a partir de uma experiência pessoal, com foco em percepções, caminhos de enfrentamento e o impacto na vida cotidiana.

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