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Escritores contam como comentários aleatórios mudaram suas vidas

Comentários casuais moldaram autoestima, revelando identidades e influenciando trajetórias de cinco escritores que reavaliam o impacto de uma única frase

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  • Matt Haig lembra que, aos 14 anos, o professor sugeriu que ele entrasse em uma turma para alunos com necessidades especiais, o que gerou estigma e influenciou sua autopercepção; ele só percebeu, mais tarde, que é neurodivergente (autismo e TDAH) e que essa diferença o ajudou na escrita.
  • Megan Nolan relembra o comentário de uma secretária de escola aos 15 anos, ao dizer que ela ainda estava “saudável” enquanto passava por anorexia; o episódio ficou marcado e ajudou a moldar sua relação com a saúde mental e a recuperação.
  • Yomi Adegoke narra o encontro com uma estranha que a incentivou a ser ela mesma e a ser levada a sério; esse elogio a fez repensar a autenticação no trabalho e influenciou sua abordagem profissional.
  • Bella Mackie recorda a frase de uma mulher numa loja de ferragens, aos oito ou nove anos, dizendo que “você come demais”; o comentário ficou como insegurança corporal duradoura e influenciou sua visão sobre o corpo ao longo da vida.
  • Nikesh Shukla descreve a orientação da mãe de que, como imigrantes, “precisamos trabalhar duas vezes mais para ter metade das oportunidades”; ele relata o impacto emocional e a mudança de perspectiva ao reconhecer que a crítica era real, mas que não deveria definir seu esforço.

O texto reúne relatos de cinco autores sobre falas que mudaram o curso de suas vidas. Cada história mostra como uma frase dita na juventude ou em momentos decisivos influenciou a autopercepção e as escolhas profissionais.

As narrativas exploram efeitos diversos, desde etiquetas escolares até crenças internalizadas sobre identidade e corpo. Os depoimentos destacam a importância de reconhecer gatilhos, lidar com estigmas e promover uma visão mais complexa de si mesmo.

Os relatos também abordam mudanças de perspectiva ao longo do tempo, com impactos em carreira, saúde mental e relações pessoais. A coleta evidencia a influência de comentários alheios na construção de autoestima e na maneira de encarar o mundo.

Matt Haig

Aos 14 anos, o autor recebeu a indicação de ingressar numa turma de necessidades especiais, no ensino público de Newark, Inglaterra. A sugestão ocorreu em 1989, gerando estigma e dúvidas sobre si mesmo. Ele não entrou no grupo, mas o rótulo ficou presente.

Conforme a narrativa, Haig percebeu mais tarde que sofre de autismo e TDAH, diagnóstico que só viria a ser reconhecido no futuro. A experiência impulsionou o foco pela história e moldou a forma como ele encara diferenças e dificuldades.

A vivência também influenciou a escrita: a hiperfoco e a sensibilidade o ajudaram a desenvolver romances. O texto será lançado em 21 de maio pela editora Canongate.

Megan Nolan

Em um momento de grande fragilidade, aos 15 anos, uma funcionária da escola afirmou que a jovem ainda era saudável, comentário que a chocou e alimentou a preocupação com a imagem do próprio corpo. O episódio ocorreu durante um momento de sofrimento e desorientação alimentar.

Anos depois, a revelação da gravidade do quadro ocorreu em meio a um funeral de uma bisavó, levando a uma reavaliação sobre a saúde e a vida. A frase marcante contribuiu para uma virada que a levou a buscar recuperação e mudança de comportamento.

Yomi Adegoke

Durante um evento social, uma visitante disse à autora que ela inspira e que é possível ser mulher negra, jornalista e autêntica ao mesmo tempo. A observação fez-na reavaliar como se apresentava no trabalho e diante das audiências.

A experiência ocorreu em meio a discussões sobre autenticidade online e a tensão entre ser verdadeiro e ser respeitado no ambiente profissional. A anedota levou-a a refletir sobre seus próprios rótulos e estratégias.

Bella Mackie

Quando menina, uma mulher no comércio olhou para o estômago da narradora e disse que ela comia demais. A frase marcou a percepção corporal, acentuando inseguranças que acompanharam a vida adulta, incluindo variações de peso ao longo dos anos.

O relato enfatiza o impacto emocional de comentários sobre o corpo e a comparação com padrões de beleza. A autora reconhece a persistência da insegurança e a dificuldade de desapegar de essa memória.

Nikesh Shukla

O colunista lembra a lembrança de ouvir, ainda jovem, que filhos de imigrantes precisam trabalhar mais para ter menos oportunidades. A expressão moldou sua visão de esforço, validação e expectativas familiares.

Ele reconhece a ambivalência: o conselho veio com a intenção de ajudar, mas gerou cobrança e raiva, que influenciaram relacionamentos e escolhas profissionais. O texto aponta para a necessidade de distinguir esforço justo de pressão opressiva.

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