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Faltaram regras de uso de telas para crianças; agora pode ser tarde

Uso de telas no quarto à noite eleva a probabilidade de cyberbullying e de comer em excesso entre jovens de 12 a 14 anos, segundo estudo com quase oito mil participantes

três adolescentes sentados lado a lado usando seus celulares sem se falar
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  • Pesquisas nos Estados Unidos com quase 8 mil jovens de 12 a 14 anos mostram que usar telas no quarto à noite aumenta o uso problemático de dispositivos um ano depois e eleva o risco de cyberbullying.
  • O estudo aponta que crianças que ficam com o celular no quarto durante a noite passam mais tempo conectadas, especialmente entre meia-noite e quatro da manhã, e entre 22h e 6h em dias de aula.
  • Outro estudo, baseado no Adolescent Brain Cognitive Development Study, associa o uso noturno de telas com maior probabilidade de sofrer e praticar cyberbullying.
  • As pesquisas sugerem que a falta de monitoramento dos pais nesses horários contribui para esses efeitos, ressaltando a importância de manter telefones fora dos quartos ou desligá-los à noite.
  • Recomenda-se refeições sem telas e manejo do uso de telas como forma de reduzir o cyberbullying, melhorar o sono e favorecer a conexão familiar.

Crianças que usam telas em seus quartos à noite tendem a usar mais dispositivos e apresentar padrões de uso problemático um ano depois, segundo pesquisa com quase 8 mil adolescentes de 12 a 14 anos, publicada no Acta Paediatrica. Um segundo estudo, no Journal of Adolescent Health, aponta maior probabilidade de cyberbullying nessas situações. Os trabalhos se baseiam no Adolescent Brain Cognitive Development Study (ABCD), maior estudo nacional de saúde e desenvolvimento cerebral infantil.

Os resultados sugerem que a falta de monitoramento dos pais durante a noite contribui para o aumento do uso de telas e do cyberbullying. Os estudos ressaltam que muitos jovens passam quase uma hora no celular entre 22h e 6h em dias de escola, com conectividade entre meia-noite e 4h, durante a semana.

Segundo o pesquisador Jason Nagata, professor associado de pediatria, as regras dos pais sobre manter celulares fora do quarto à noite podem reduzir impactos negativos. A limitação nesse intervalo é que adolescentes costumam relatar os casos de cyberbullying por conta própria.

Guarde as telas à noite

Para Nagata, a hora de dormir é um momento-chave para limitar o uso de telas. Dormir inadequadamente afeta saúde mental e física, tornando relevante impedir o acesso a celulares no quarto ou desligá-los à noite.

Especialistas recomendam diálogo sobre os benefícios do sono para o desenvolvimento cerebral e o bem-estar familiar. Humor, leitura de artigos e podcasts com informações sobre sono ajudam a convencer os jovens sobre a importância da rotina.

Refeições sem telas para reduzir riscos

A pesquisa também vincula o uso de telas durante as refeições a maior incidência de cyberbullying e ao ganho de peso. As refeições devem promover conversa entre família, reforça Nagata.

Sugere-se criar um local central para deixar os celulares durante as refeições, inclusive para os pais. Falar sobre como as coisas vão, expressar gratidão e propor jogos ou perguntas para iniciar o diálogo ajuda a manter o foco familiar sem dispositivos.

Modelo de comportamento dos pais

O uso problemático de telas por crianças indica padrões de uso entre os responsáveis. Quando adultos utilizam mais dispositivos, os filhos tendem a repetir o comportamento anos depois, com maior risco de dependência e conflitos em redes sociais.

A recomendação é que os pais demonstrem uso saudável de telas, fortalecendo a conexão familiar por meio de atividades sem tela. Explicar as regras apenas quando necessário, com foco nos motivos, facilita a adesão dos filhos.

Em resumo, manter celulares fora do quarto à noite e durante as refeições pode melhorar a experiência das crianças com as telas, além de favorecer sono, bem-estar e convivência familiar.

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