BEIJING — A competição no mercado de carros elétricos da China se intensificou com a BYD anunciando cortes de preços de até 30% em diversos modelos, incluindo o compacto Seagull, que agora custa 55.800 yuan (aproximadamente R$ 7.750). Essa estratégia gerou apreensão entre concorrentes e pode afetar a economia global.
Analistas, como Zhong Shi, da China Automobile Dealers Association, afirmam que a ação da BYD deixou a indústria em estado de “relativamente grande choque”. Pequenos fabricantes estão preocupados com sua capacidade de competir. O setor de veículos elétricos tem sido um dos poucos pontos positivos em uma economia que enfrenta crescimento lento e demanda fraca.
Nos últimos dois anos, o mercado já vivia uma guerra de preços, impulsionada em parte pela Tesla. Agora, montadoras tradicionais, incluindo as estatais, sentem a pressão, já que os veículos de nova energia representam cerca de 50% das vendas de carros novos na China. O presidente da Great Wall Motors, Wei Jianjun, comparou a situação atual a uma possível crise semelhante à da Evergrande no setor imobiliário.
BYD também negou relatos de que estaria pressionando um de seus concessionários, Jinan Qiansheng, em relação ao fluxo de caixa. A empresa, que viu seu lucro líquido aumentar em 49% no último ano, enfrenta um aumento significativo em suas obrigações financeiras, que cresceram mais de 60%.
A média de preços de carros na China caiu cerca de 19% nos últimos dois anos, enquanto os veículos híbridos tiveram uma redução de 27%. Em contraste, o preço médio de um carro novo nos Estados Unidos subiu para $ 48.699. A pressão sobre os preços pode levar a um reequilíbrio no mercado, mas a competição acirrada continua a gerar preocupações sobre a sustentabilidade do setor.
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