Os clientes do Mercado Bitcoin voltarão a consultar o saldo no site da empresa na segunda-feira (9), uma semana depois do “incidente de segurança” que tirou a plataforma do ar. Segundo a corretora, US$ 33 milhões ainda estão nas mãos do responsável pelo ataque.
“Ainda que seja um valor expressivo, ele é um valor relativamente pequeno quando a gente compara com o total que a gente custodia de valores de clientes”, afirmou o vice-presidente de negócios cripto da empresa, Fabrício Tota, em vídeo divulgado na quinta-feira (5). Nos comunidados nas redes sociais, a empresa evita usar “ataque hacker”, preferindo tratar o caso como um “incidente de segurança”.
Segundo ele, o valor equivale a cerca de 3% dos ativos que a corretora guarda para os clientes. Tota ainda garantiu que todos os clientes vão receber de volta o saldo que tinham no momento do incidente, com recursos da própria empresa.
Além disso, de acordo com o executivo, a corretora vai liberar aos poucos a negociação, os saques e os depósitos, em criptomoedas e em reais. Ele também afirmou que a empresa vai divulgar um cronograma detalhado em breve.
Na segunda-feira (2), a corretora suspendeu saques, depósitos e o acesso ao aplicativo depois de um “incidente de segurança”. Em uma postagem no X na quarta-feira (4), a empresa informou que “os ativos afetados pelo incidente somam o equivalente, neste momento, a US$ 36,3 milhões. Já conseguimos bloquear US$ 12,9 milhões”. Empresas de monitoramento estimaram a saída de US$ 40 milhões a US$ 50 milhões de carteiras da corretora.
Binance repõe 98% dos recursos roubados
A Binance também prometeu cobrir as perdas de um ataque recente, em que hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões da plataforma, segundo a Reuters. Em publicação no X na quarta-feira (4), a empresa informou que já repôs cerca de 98% do valor roubado, com recursos próprios. Segundo a corretora, a compra dos 2% restantes deve ser mais lenta, porque envolve criptomoedas com menos liquidez, ou seja, mais difíceis de comprar no mercado.
Em outra publicação, nesta sexta-feira (6), a corretora informou que pretende reabrir até o fim da próxima semana os saques de criptomoedas como HYPE, INJ, APT, PLASMA, NEAR e LTC, além de todos os tokens das redes que já foram restabelecidas, como BSC, Ethereum e Arbitrum.
O incidente sofrido pela Binance na semana passada está levando as seguradoras a examinar com mais rigor a segurança das empresas de criptomoedas, segundo fontes do setor ouvidas pela Reuters. A expectativa é que as seguradoras não deixem de atender o setor nem reduzam a oferta de seguros.
No entanto, ao renovar ou fechar novas apólices, elas devem cobrar informações sobre a exposição dos clientes à Binance e sobre as falhas que permitiram o ataque.
O que se sabe sobre o incidente na Binance
Segundo relatório divulgado pela própria Binance nesta semana, os hackers usaram uma entrevista de emprego falsa e um programa escondido em um anúncio para invadir os computadores de dois engenheiros da empresa. Depois, usaram um terceiro computador para desviar os recursos. O plano, que teve várias etapas, começou em junho. Por isso, segundo especialistas, as empresas do setor podem ter de provar às seguradoras que não têm as mesmas falhas.
O caso também mostra os limites dos seguros para o setor. Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, nenhuma apólice disponível no mercado cobriria uma perda desse tamanho, nem mesmo a soma de várias delas.
Além disso, o FBI atribuiu o ataque a um grupo ligado à Coreia do Norte, o que pode complicar pedidos de indenização. Isso porque, desde 2023, as apólices do mercado Lloyd’s, em Londres, costumam excluir ataques apoiados por governos. Pyongyang nega as acusações.
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(Com informações da Reuters)
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