Os produtores de arroz no Brasil enfrentam uma grave crise na safra 2024/25, com prejuízos significativos devido à combinação de uma colheita cheia e preços em queda. A colheita deve atingir 12,1 milhões de toneladas, um aumento de 14,8% em relação ao ciclo anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Os preços do arroz caíram para R$ 71,34 a saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, abaixo do custo de produção que varia entre R$ 90 e R$ 80 por saca. O presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, destacou que “estamos operando com prejuízo efetivo”. Para o produtor André Matos, a média de colheita deve ficar em 180 sacas por hectare, enquanto o necessário para empatar seria 220 sacas.
Desafios do Mercado
As exportações de arroz também decepcionaram, com um aumento de 19,5% nos embarques entre janeiro e março, totalizando 33,7 mil toneladas. No entanto, a concorrência com Paraguai e Uruguai, que têm custos menores, tem prejudicado a competitividade do Brasil. O Itaú BBA alertou que a janela de exportação brasileira pode se fechar com a chegada da safra dos Estados Unidos em agosto.
Além disso, a margem de comercialização está concentrada no varejo, enquanto os preços ao consumidor permanecem estáveis. Velho criticou essa distorção, afirmando que “quem tem se beneficiado é o varejo”.
Nos próximos dias, a Federarroz apresentará propostas ao Ministério da Agricultura para mitigar os impactos da crise e defender políticas estruturantes para o setor. A gestão dos estoques e a evolução das exportações serão cruciais para evitar uma deterioração maior nos preços.
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