A classe média brasileira enfrenta um aumento na carga tributária, mesmo sem ver um aumento real na renda. A tabela do Imposto de Renda (IR) permanece congelada desde 2015, o que resulta em distorções na tributação. O prazo para declarar o IR termina nesta sexta-feira, 30, e muitos contribuintes se veem obrigados a reunir recibos de despesas, como consultas médicas e mensalidades escolares.
A tabela do IR não foi atualizada para acompanhar a inflação, o que faz com que quem recebe aumentos apenas para manter o poder de compra seja tratado como “rico” pela Receita Federal. Em 2015, um salário de R$ 4 mil correspondia a quase cinco salários mínimos. Atualmente, com o salário mínimo em R$ 1.412, essa quantia representa menos de três salários. Se corrigido pela inflação, R$ 4 mil de dez anos atrás equivaleria a quase R$ 7 mil em 2025.
Embora o governo tenha promovido atualizações pontuais na tabela do IR em 2024 e 2025, essas mudanças afetaram apenas a faixa de isenção, que agora é de R$ 2.259,20. Essa alteração beneficia quem ganha até dois salários mínimos, mas não resolve a situação da classe média, que continua a arcar com a maior parte da carga tributária.
O secretário de Reformas Econômicas, Marcos Pinto, afirmou que corrigir a tabela integralmente resultaria em uma perda de arrecadação superior a R$ 100 bilhões por ano. Essa quantia representa um aumento de imposto invisível, que impacta diretamente os contribuintes que sustentam serviços como educação e saúde, sem receber o devido apoio do Estado.
A atualização da tabela do Imposto de Renda é vista como uma medida necessária para garantir justiça tributária, mas, diante da realidade fiscal do país, essa correção parece distante. A classe média, mais uma vez, é a que mais sente o peso dessa situação.
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