Portugal enfrenta um excesso crônico de estoque de vinho, com mais de 1,281 milhões de litros armazenados, enquanto o governo anunciou um novo investimento de 13 milhões de euros para destilação na região do Douro. A situação se agrava, pois a produção vinícola superou o consumo interno em 17,4% na temporada de 2023 e 2024.
Nos últimos anos, o país gastou mais de 75 milhões de euros para queimar vinho excedente, e a importação de vinho a granel, principalmente da Espanha, continua a ser uma preocupação. Em 2022, Portugal importou 285,2 milhões de litros de vinho, com 225,8 milhões de litros sendo a granel. Apesar da redução nas importações, os números ainda são alarmantes, com 200 milhões de litros importados em 2024.
Crise no Setor Vitivinícola
A Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (Andovi) já alertava sobre uma “bolha de acumulação de estoques”. O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, reconheceu a crise e a necessidade de medidas urgentes. A fiscalização do setor permanece insuficiente, com apenas 46 ações de fiscalização realizadas entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, resultando na apreensão de 150 mil litros de vinho.
O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) anunciou novas regras de rotulagem para garantir a clareza na indicação de proveniência dos vinhos. Contudo, a falta de fiscalização efetiva levanta preocupações sobre a qualidade e a rastreabilidade dos produtos. O IVV, que deveria certificar os vinhos, não possui capacidade de fiscalização desde 2005, o que aumenta o risco de fraude e prejudica os pequenos produtores.
Medidas Futuras
O governo está preparando um pacote de medidas para enfrentar a crise, que inclui a destilação de vinho excedente e a redução da área de vinha. A proposta foi aprovada por unanimidade no Conselho Interprofissional do IVDP, com o objetivo de apoiar diretamente os viticultores. A consulta sobre as novas medidas deve ser concluída durante a colheita de 2025.
A situação do vinho em Portugal reflete uma tendência global de queda no consumo, com a produção na União Europeia diminuindo e a demanda em mercados como China e EUA também em declínio. O desafio é equilibrar a produção e o consumo, evitando que os estoques continuem a crescer.
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