O relatório Sofi 2025, divulgado recentemente, revela que 90 milhões de pessoas a mais enfrentam a fome em comparação a 2020, destacando a necessidade urgente de ação política para erradicar esse problema global. O Brasil, por outro lado, é apontado como um exemplo positivo, tendo reduzido a subalimentação para menos de 2,5% da população entre 2022 e 2024.
Máximo Torero, economista-chefe da FAO, expressou sua preocupação com o aumento da fome, que agora atinge 673 milhões de pessoas no mundo. Ele ressaltou que a combinação de conflitos armados e crises climáticas são os principais fatores que agravam a insegurança alimentar, especialmente na África. Torero destacou que erradicar a fome depende de vontade política e de políticas públicas eficazes.
O Brasil, que saiu do Mapa da Fome, é um exemplo de sucesso, com políticas integradas que incluem programas de proteção social, como o Bolsa Família, e ações voltadas para a produção agrícola e alimentação escolar. O relatório enfatiza que a continuidade dessas políticas é crucial, pois países podem entrar e sair do mapa da fome dependendo do compromisso político.
Desafios Globais
A situação na África continua alarmante, com 307 milhões de africanos sofrendo de subalimentação, representando 20% da população do continente. Conflitos prolongados, crises climáticas e falta de investimento em desenvolvimento rural são fatores que perpetuam essa realidade. O relatório também aponta que, em 139 dos 203 países analisados, a inflação dos preços dos alimentos superou 25%, dificultando o acesso a dietas saudáveis.
Além disso, a FAO alerta para a crescente dupla carga da má nutrição, onde a fome e a obesidade coexistem. A prevalência de obesidade em adultos aumentou de 12,1% em 2012 para 15,8% em 2022, refletindo falhas nos sistemas agroalimentares que não oferecem dietas acessíveis e nutritivas.
Torero conclui que a fome não é uma inevitabilidade, mas sim o resultado de decisões políticas e falhas na governança. Transformar os sistemas agroalimentares é essencial para garantir dietas saudáveis e sustentáveis, e o Brasil serve como um modelo a ser seguido na luta contra a fome.
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