Fabricantes de calçados brasileiros enfrentam dificuldades no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos, devido ao tarifaço de 50% imposto por Donald Trump. A Calçados Killana, localizada em Três Coroas (RS), anunciou férias coletivas para parte de seus funcionários, prevendo cortes de pessoal e uma queda acentuada nas exportações.
Cerca de 80% das exportadoras consultadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) relataram impactos negativos devido à nova tarifa. Marcos Huff, diretor da Killana, afirmou que o cenário é de “terra arrasada” em termos de negócios. A empresa, que destina 70% de sua produção ao exterior, viu sua margem de lucro diminuir, tornando inviável a manutenção das exportações.
Impactos no Setor
Historicamente, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de calçados, representando mais de 20% do valor total. No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 5,8 milhões de pares para o país, um aumento de 13,5% em relação ao mesmo período de 2024. Contudo, a nova tarifa pode reverter esse crescimento.
Huff destacou que a Killana investiu anos para conquistar o mercado americano, especialmente após a pandemia. A empresa produz sapatos femininos para marcas americanas, mas a tarifa pode inviabilizar novos pedidos. A Abicalçados estima que, se a situação persistir, cerca de 8 mil postos de trabalho diretos podem ser perdidos, impactando até 20 mil empregos indiretos na cadeia produtiva.
Medidas Emergenciais
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, alertou sobre atrasos e cancelamentos de pedidos, além da necessidade urgente de medidas para proteger empregos e empresas do setor. A expectativa é de uma queda de 9% nas exportações nos próximos 12 meses, com os Estados Unidos liderando essa redução. A situação exige atenção imediata para evitar um colapso no setor calçadista brasileiro.
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