Sob o impulso de maior competição e oscilações de renda, algumas figuras da influência digital estão optando por retornar ao regime CLT. A onda contrária à procura por mercado formal revela motivações financeiras e emocionais, segundo especialistas e relatos de profissionais entrevistados.
A influenciadora Alana Azevedo, conhecida pelo apelido @alanitcha, migrou para o CLT há dois anos. Ela deixou de atuar apenas como autônoma para assumir um cargo híbrido em São Paulo, com salário fixo e benefícios. O retorno ao mercado formal ocorreu após alcançar sucesso nas redes e campanhas com grandes marcas.
Além de Alana, relatos de outras profissionais destacam escolhas semelhantes. A CEO da Youpix, Rafaela Lotto, aponta que o cenário atual exige diversificação de receitas para manter estabilidade financeira, com menos dependência de uma única fonte de renda.
Contexto do mercado
População de criadores tem enfrentado maior concorrência e queda relativa de renda. Estudo recente da Youpix com a Brunch indica que a maioria recebe entre 2 mil e 5 mil reais mensais, com poucos acima de 10 mil. A mudança para o CLT aparece em busca de previsibilidade financeira.
Casos e impactos
Gabrielle Gimenes, produtora audiovisual, atuava exclusivamente como criadora de conteúdo e migrou para uma função CLT em uma empresa de educação. Ela passa a ganhar salário mensal fixo e manter a criação como renda complementar, entre 1 mil e 2 mil reais mensais.
Caroline Dallepiane, coordenadora de conteúdo, mudou para o regime formal em Joinville após sete anos como influenciadora. A remuneração caiu pela metade, mas ela cita ganho de comunidade, aprendizado e estabilidade como fatores decisivos para a mudança.
Aprendizados e perspectivas
Especialistas destacam a importância de diversificar fontes de receita na economy de criadores. A ideia é transformar atuação online em negócio estável, com palestras, cursos, produtos e serviços, reduzindo a dependência de contratos com marcas.
Rafaela Lotto enfatiza que migrar para o CLT ainda carrega estigma, lembrando que a educação financeira e o planejamento de carreira são essenciais para quem busca equilíbrio entre criação e emprego formal.
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