O Grupo Refit, controlador da antiga Refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro, é alvo de investigação da Operação Poço de Lobato, deflagrada nesta quinta-feira pelos ministérios públicos e pela Receita Federal. A apuração envolve sonegação, fraude tributária e ocultação de patrimônio, com vínculos a operações associadas à chamada Carbono Oculto e dívidas que superam 26 bilhões de reais. Segundo as investigações, haveria declaração de cargas de gasolina como destinadas à industrialização, o que reduziria tributos devidos. A investigação abrange holdings, offshores e fundos de investimento vinculados ao grupo.
A história da refinaria mostra que, ao longo de décadas, o complexo participou de transformações econômicas e regulatórias do setor. Atualmente sob o comando de Ricardo Magro, o grupo já enfrentou fases de crise, recuperação judicial e reposicionamento estratégico desde 2017, quando adotou o nome Refit. A unidade já chegou a processar até 10 mil barris por dia na década de 1960 e, após interrupções e reestruturações, passou a figurar entre as maiores refinarias privadas do país.
Interdição parcial e desdobramentos
Em setembro, a Agência Nacional do Petróleo interditou parcialmente a Refit, devido a irregularidades relacionadas à importação de gasolina rotulada como nafta e à falta de evidências de refino. A medida foi parcialmente suspensa em outubro, permitindo a retomada de atividades de comercialização, mas mantendo a torre de destilação sem autorização para operar. A interdição ocorreu no contexto das operações Cadeia de Carbono e Carbono Oculto, que continuam em andamento.
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