O principal índice da bolsa brasileira fechou em queda de 13,88% nesta segunda-feira (26), aos 176.608 pontos. Foi a maior queda da Ibovespa em um dia, desde de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. No pior momento do pregão, o índice chegou a cair mais de 17%.
A queda abrupta reflete a reação do mercado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conquistou o quarto mandato. Segundo analistas, os investidores apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno, por esperar um governo mais favorável ao mercado e às contas públicas.
No domingo (25), porém, Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.
Já o dólar subiu 8,36% e fechou a R$ 5,41. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a passar de R$ 5,60.
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Circuit breaker
Logo na abertura, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações para conter quedas bruscas. A paralisação durou 30 minutos. Segundo a bolsa, a decisão levou em conta a previsão de uma queda superior a 20% no Ibovespa. O mecanismo não era acionado desde março de 2020.
No mercado futuro, a B3 também ampliou duas vezes o limite de queda diária dos contratos do Ibovespa. Antes da abertura, o limite passou de 10% para 15%. Depois, já com o pregão em andamento, subiu para 20%.
O volume negociado no dia chegou a quase R$ 115 bilhões, o dobro da média diária do mês. Além disso, o índice das empresas de menor porte, o Small Caps, caiu 26,92%, a maior queda em um dia desde o início da série, em 2005.
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O que dizem os analistas
Para a investidora Louise Barsi, cofundadora do grupo AGF, o mercado tinha precificado um resultado diferente.
“O momento é de cautela, mas não é nem 8 nem 80”, afirmou.
Segundo ela, ainda não dá para dizer que o ajuste terminou, porque o cenário para 2027 é de crescimento baixo, risco de inflação e juros altos.
Na mesma linha, o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, afirmou que o foco dos investidores será a política fiscal do quarto mandato de Lula.
“A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse. Segundo ele, a relação do governo com um Congresso “mais inclinado à direita” também será relevante.
As atenções agora se voltam para a escolha do ministro da Fazenda e para a estratégia de controle das contas públicas nos próximos quatro anos. Nesta segunda, o atual ministro, Dario Durigan, afirmou que o governo vai propor que as contas públicas passem a mirar o centro da meta fiscal, e não o piso.
Ainda assim, bancos estrangeiros mostraram cautela. O Goldman Sachs espera, “no máximo, medidas modestas” para conter os gastos, acompanhadas de aumento de impostos.
Já o Morgan Stanley vê risco de novas quedas das ações brasileiras até o fim do ano. O Scotiabank, por sua vez, afirmou que a recusa de Flávio em reconhecer a derrota e a contestação judicial do resultado devem manter a incerteza política elevada.
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Destaques do pregão
Os bancos estiveram entre as maiores quedas. As ações do Banco do Brasil caíram 29,33%, e as do BTG Pactual, 24,83%. O Bradesco recuou 21,7%, e o Itaú, 13,66%. As ações da própria B3 caíram 36,28%, e as da XP, negociadas nos Estados Unidos, recuaram 48,36%, a maior queda desde a estreia da empresa na bolsa, em 2019.
As empresas mais ligadas ao consumo e aos juros também tiveram perdas fortes. A Magazine Luiza caiu 58,23%, e a construtora Cyrela, 44,81%. Na Petrobras, as ações preferenciais recuaram 8,18%. Para a presidente da estatal, Magda Chambriard, a queda é um “movimento especulativo” e não reflete os fundamentos da empresa.
Por outro lado, as exportadoras subiram, beneficiadas pela alta do dólar. A Suzano avançou 10,08%, a Embraer, 8,89%, a WEG, 4,21%, e a Vale, 4,01%.
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