A China implementou salvaguardas sobre as importações de carne bovina brasileira a partir de 1º de janeiro de 2026, o que deve reorganizar os fluxos de produção e impactar as exportações do setor, segundo analistas e entidades do agronegócio consultados pela Bloomberg Línea. O Brasil aparece como o principal prejudicado no volume, segundo o estudo.
A medida estabelece uma cota crescente nos três primeiros anos, iniciando com 1,106 milhão de toneladas no primeiro ano. Dentro da cota, a tarifa é de 12%; além do limite, há sobretaxa de 55%, elevando a tarifa total para 67%. Cerca de 200 mil toneladas, já em transporte, podem ser contabilizadas na cota, reduzindo o volume disponível.
ABIEC e CNA afirmam que a mudança altera as condições de acesso ao mercado chinês e exige reorganização dos fluxos de produção e exportação. A China segue como principal destino da carne bovina brasileira, etapa central para o funcionamento da pecuária nacional.
Em 2025, as importações chinesas de carne bovina brasileira somaram aproximadamente 1,7 milhão de toneladas, correspondente a 48,3% do total exportado pelo Brasil. Embora o peso externo seja relevante, cerca de 70% da produção fica no mercado interno e 30% é destinado à exportação. China e Estados Unidos juntos concentraram quase 60% das exportações.
Analistas apontam ajustes ao longo de toda a cadeia para evitar impactos mais amplos. O segundo semestre tende a ser mais sensível, com o confinamento voltado principalmente ao mercado chinês. Dois cenários se destacam: a cota pode ser atingida entre julho e outubro, ou apenas entre setembro e outubro, mantendo ainda grande volume para o primeiro giro de confinamento.
Estratégias de produtor e empresas passam pela antecipação do confinamento, venda de gado a partir de janeiro e diversificação para novos mercados. Entre as opções está a retenção de gado para a virada do ano, diante da reinicialização da cota.
Estratégias de mercado envolvem ampliar exportações para Egito, Indonésia, Chile e Rússia, ainda que com preços médios inferiores aos da China. Também surge a possibilidade de triangulação com Uruguai e Argentina, aproveitando cotas menos restritivas, mas com limitações de escala.
O debate também aponta que, como no caso do frango, a China tende a absorver cortes com menor aceitação no mercado interno brasileiro, enquanto a preferência local recai sobre cortes da traseira.
Entre na conversa da comunidade