O excedente comercial da China atingiu um recorde de 1,189 trilhados de dólares no ano de 2025, informou a aduana na quarta-feira. O resultado ocorre em meio a pressões de tarifas impostas pela gestão de Donald Trump, que busca desviar pedidos dos EUA para outros mercados.
Apesar das tensões tarifárias reaparecidas, Pequim vem fortalecendo a diversificação de parcerias, mirando a Ásia-Pacífico, África e América Latina para compensar o enfraquecimento de demanda interna. O resultado é visto como sinal de resiliência frente a um ambiente externo desafiador.
O desempenho externo reforça a ideia de que as exportações chinesas sustentaram o ritmo mesmo com o recuo do mercado interno diante de uma desaceleração do setor imobiliário. Dados de 2025 mostram que o superavitário foi impulsionado por uma demanda global estável para produtos de baixo e médio valor agregado.
Dados e desdobramentos
As remessas chinesas cresceram 6,6% em valor em dezembro, ante 5,9% em novembro, superando as previsões de analistas consultados pela Reuters. As importações avançaram 5,7%, após alta de 1,9% no mês anterior, também acima do esperado.
O yuan manteve-se estável após o anúncio, com índices acionários de Xangai registrando alta de mais de 1% na sessão inicial. A sólida leitura de comércio externo ajudou a reduzir volatilidade de curto prazo no mercado financeiro.
A indústria automotiva da China elevou as exportações em 19,4% no ano, para 5,79 milhões de veículos, com as remessas de veículos elétricos crescendo 48,8%. A China projeta manter o posto de maior exportador automotivo global por pelo menos mais um ano.
Contexto e políticas
Ao longo do último ano, Pequim sinalizou a necessidade de moderar exportações industriais para manter o equilíbrio econômico. O líder Li Qiang pediu, em rede nacional, expansão de importações e equilíbrio entre importações e exportações.
O governo também encerrou subsídios similares a créditos fiscais para a indústria solar, uma fonte de atrito com a União Europeia. Em dezembro, foram aprovadas revisões à lei de comércio externo, sinalizando maior abertura comercial.
Apesar da trégua tarifária entre Trump e Xi Jinping, as tarifas dos EUA sobre produtos chineses permanecem em torno de 47,5%, ainda muito acima da faixa estimada por analistas como necessária para tornar as exportações lucrativas.
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