O conglomerado Berkshire Hathaway, ligado a Warren Buffett, ampliou sua exposição às sogo shosha do Japão — as cinco maiores tradings — em meio a um rali setorial impulsionado pela liquidação recente de títulos do governo japonês. A volatilidade do mercado local eleva as atenções sobre a estratégia de investimento da companhia.
No radar do mercado, os títulos do governo japonês de longo prazo voltaram a subir, com rendimentos de 40 anos acima de 4%. O iene perdeu terreno frente ao dólar, pressionado por estímulos fiscais e propostas de cortes de impostos apresentadas pela equipe econômica. A leitura é de especialistas em Tóquio de que o cenário indica risco de crise.
Buffett já investiu nas cinco tradings pela primeira vez em 2019, desembolsando US$ 6,5 bilhões para adquirir 5% de cada empresa. Entre 2023 e 2024, o grupo aportou mais US$ 7,3 bilhões, elevando o total investido. Hoje, o valor agregado das participações é estimado em US$ 38 bilhões, com ganho potencial de cerca de US$ 24 bilhões.
As trading houses respondem pela geração de caixa relevante, com expectativa de dividendos de US$ 812 milhões para 2025, segundo relatório anual da Berkshire. O custo da dívida da Berkshire em ienes, para financiar as aquisições, ficou abaixo de 1% ao ano, ante dividendos de cerca de 4% a partir dos investimentos japoneses.
A situação ocorre em um momento de transição para a Berkshire, que planeja a aposentadoria de Buffett até o fim de dezembro. Greg Abel assume a frente como eventual substituto, enquanto o grupo negocia impactos de liderança sobre cultura e estratégia. Investidores observam o desempenho das holdings diante dessa mudança.
Porta-voz de mercado aponta que as sogo shosha, com atuação diversificada em commodities, logística e indústria, permanecem atraentes pela presença de ativos reais mesmo em cenários voláteis. A desvalorização do iene, nesse contexto, aumenta o lucro em termos de moeda local quando convertido para outras moedas.
Expert em investimentos, John Boyar destaca que o foco dos investidores pode se voltar à transição de liderança. Ainda que as operações japonesas representem apenas parte da carteira global, a capacidade de a Berkshire manter o ritmo de aquisições e distribuir dividendos continua sob escrutínio.
Fontes regulatórias revelaram o primeiro movimento de Abel como CEO: a venda de 28% da Kraft Heinz, equivalente a US$ 7,7 bilhões, marcando um dos movimentos de capital mais expressivos recentes da gestão. A ação, porém, não deverá comprometer a avaliação geral da Berkshire.
No Japão, as tradings são vistas como estáveis devido à posse de ativos tangíveis como energia, metais e alimentos. A alta dos preços de commodities tende a favorecer resultados reportados na moeda local, potencializando lucros para o portfólio da Berkshire.
Especialistas ressaltam que o desempenho dessas participações depende de juros no Japão e da direção do câmbio. Se a trajetória do crédito for mais agressiva, parte do ganho cambial pode ser comprimida, exigindo ajuste de perspectiva para o futuro.
Investidores permanecem atentos ao desenvolvimento da liderança de Buffett e aos impactos de eventuais mudanças na governança da Berkshire. A expectativa é de que oportunidades semelhantes apareçam, desde que a empresa mantenha a confiança de parceiros e acionistas.
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