A tokenização e a blockchain passam a sustentar o funcionamento dos FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios) no Brasil. O objetivo é aumentar a clareza, a governança e a qualidade das informações operacionais que lastreiam esses fundos. O mercado busca mais velocidade sem abrir mão da confiabilidade.
A integração dessas tecnologias não substitui o modelo dos FIDCs, mas amplia sua capacidade de operação. Eventos como pagamentos, amortizações e inadimplências podem ser registrados em uma infraestrutura única, reduzindo ruídos e inconsistências entre participantes.
Com a blockchain, cada registro de carteira fica disponível de forma contínua e verificável. Isso diminui a assimetria informacional, facilita auditorias e eleva a confiança dos investidores, que passam a ter dados mais estáveis para tomada de decisão.
A tokenização acrescenta ainda programabilidade via contratos inteligentes. Regras de cálculo, remuneração e fluxos financeiros podem ser codificadas, garantindo execução automática e padronizada, reduzindo divergências entre agentes.
Modelos como o TIDC demonstram como a integração entre matemática financeira e tecnologia viabiliza operações mais previsíveis. Intermediários continuam necessários, mas ganham eficiência ao dedicar menos tempo à reconciliação e mais à análise.
Essa evolução não desvaloriza os FIDCs; pelo contrário, cria uma infraestrutura mais forte e coesa para o próximo ciclo de crescimento. A combinação de governança tradicional com infraestrutura digital aumenta a estabilidade e a capacidade de absorção de volumes.
A tokenização não inaugura um novo modelo de FIDC; fortalece o existente, oferecendo maior clareza, segurança e consistência para o crédito estruturado no Brasil nos próximos anos.
Sobre o autor
Daniel Coquieri é CEO da Liqi Digital Assets, empresa de tokenização de ativos, e foi fundador da BitcoinTrade, uma das primeiras corretoras de criptomoedas do Brasil.
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