A indústria automotiva do Reino Unido aponta que alcançar a meta de 1,3 milhão de carros por ano só será possível com a construção de uma grande nova fábrica no país, nos próximos anos. A estimativa foi feita pela Society of Motor Manufacturers and Traders (SMMT). A meta faz parte da estratégia industrial defendida pelo Labour, com prazo até 2035.
Segundo a SMMT, o UK produziu 764.715 veículos em 2025, entre carros e furgões, registrando uma queda de 15,5% ante 2024. O resultado representa o pior patamar desde 1952, descontando os impactos da pandemia.
Para o setor, manter o que existe, expandir o atual, e atrair novos investimentos são condições reconhecidas como cruciais. Mike Hawes, CEO da SMMT, disse que chegar a 1,3 milhão exige também uma nova planta no país.
Desdobramentos da visita a China
Keir Starmer chegou a Pequim e Xangai para uma viagem de três dias, acompanhando uma delegação de empresários e executivos de montadoras como Jaguar Land Rover (JLR) e McLaren, além da Octopus Energy. O objetivo é fortalecer relações comerciais e atrair investimentos.
Hawes destacou que a visita pode catalisar novos investimentos, observando que a China lidera a expansão da produção global. Em um ano desafiador, o setor teve efeitos de tarifas dos EUA, turbulência na Nissan e um ataque cibernético que afetou a JLR.
Apesar dos obstáculos, o panorama para 2026 é visto com mais otimismo, com a participação crescente de veículos elétricos. Em 2025, 41,7% dos carros novos produzidos no Reino Unido eram elétricos ou híbridos, totalizando 298.813 unidades, alta de 8,3 pontos percentuais ante 2024.
O cenário de demanda também tem se beneficiado com a entrada de marcas chinesas no mercado britânico. Em 2025, carros chineses responderam por 9,7% das vendas de carros novos no Reino Unido, puxados por MG, BYD e Chery, que lidera Jaecoo e Omoda.
Chery já sinalizou, no ano passado, que analisa a construção de uma fábrica no Reino Unido como parte de uma estratégia de local de produção próprio. A empresa afirmou estar avaliando a possível instalação como parte de uma estratégia de presença local.
Para Hawes, manter a negociação com fabricantes chineses é uma oportunidade de ampliar a produção local. Ele argumenta que produzir próximo de onde se vende oferece maior previsibilidade para as empresas, em um cenário global volátil.
A indústria reforça que, para o crescimento sustentável, será necessária a entrada de novas fábricas e modelos no Reino Unido, incluindo investimentos diretos de origem chinesa, com foco em veículos elétricos.
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