O aumento no valor dos cachês cobrados por artistas tem mobilizado prefeituras do Nordeste. Municípios buscam reduzir o custo considerado fora da realidade para festas locais, especialmente no Carnaval. A pressão acontece à medida que as cidades planejam as festividades do período.
Em Ceará, três cidades anunciaram cancelamentos ou redução de celebrações: Tauá, Caucaia e Jaguaretama. Em Tauá, por exemplo, a cidade adiou a programação de carnaval para reduzir gastos. Em Jaguaretama, o prefeito já se pronunciou em vídeo sobre a decisão.
No Rio Grande do Norte, Paraú cancelou o Carnaval com a justificativa de redirecionar recursos para ações contra a seca. Santa Luzia, na Paraíba, adotou a mesma linha, priorizando enfrentar impactos climáticos. Em Massapê (CE), a prefeitura reduziu o festejo de quatro para um dia devido ao alto custo das bandas.
Preço dos cachês dispara e afeta cidades menores. Joacy Alves Junior, presidente da Aprece, aponta aumentos de até 100% ou mais de um ano para o outro. Em alguns casos, valores chegam a 800 mil reais, tornando insustentável a contratação sem licitação.
Para entender as causas, o secretário cita fatores como o maior número de festas financiadas com recursos federais e uma nova modalidade de custeio via emendas parlamentares. Emendas Pix ajudam a viabilizar festas, o que eleva ainda mais os custos.
A região discute, ainda, como reduzir a inflação nos gastos com atrações. Segundo Joacy, o cenário indica que o ano de 2026 exige contenção fiscal para municípios de pequeno e médio porte. A percepção é de que os custos não acompanham a capacidade financeira local.
Debate em estados vizinhos
Uma comissão de prefeitos da Bahia se reuniu com o Ministério Público para tratar de contratações para o São João, definindo critérios de gastos através de um TAC. O objetivo é assegurar lisura nos gastos com artistas.
Em paraíba, nova rodada de conversas envolvendo o Tribunal de Contas do Estado ocorreu para alinhavar medidas de controle. Prefeitos reforçam a necessidade de evitar que aumentos locais gerem impactos maiores em estados vizinhos.
O conjunto de ações revela uma busca por alinhamento regional. A ideia é evitar impactos financeiros desproporcionais no interior de estados nordestinos e promover compras públicas mais transparentes na contratação de atrações.
Entre na conversa da comunidade