O jornalismo acompanha relatos sobre práticas de emprego envolvendo a empresa Uline, no contexto de debates sobre imigração e empregos nos EUA. Um ex-funcionário mexicano, Christian Valenzuela, revelou detalhes do que chamou de programa de shuttle, utilizado pela empresa para deslocar trabalhadores do México a polos de distribuição nos EUA.
Valenzuela, 42, afirma ter participado do programa entre 2022 e 2023, atuando em instalações da Uline na Pensilvânia, Flórida e Wisconsin. Segundo ele, os trabalhadores vinham com vistos de treinamento, mas exerciam funções de escala normal nas operações. A empresa não comentou o assunto.
O relato descreve que a remuneração dos trabalhadores mexicanos era menor do que a dos colegas norte‑americanos, mesmo quando realizavam atividades equivalentes. Segundo Valenzuela, a Uline oferecia bônus, ajuda de custo e acomodação, mas mantinha salários significativamente mais baixos.
Implicações do programa teriam surgido em meio a tensões sobre imigração e mão de obra. Em Allentown, na Pensilvânia, o ex‑funcionário teria testemunhado uma divisão de tarefas, com trabalhadores mexicanos recebendo tarefas mais pesadas. A narrativa sugere discriminação de função e pagamento.
Em 6 de junho de 2023, Valenzuela sofreu acidente com um operador de empilhadeira na unidade da Uline na Wisconsin. Ele relata forte impacto e dor intensa, sendo encaminhado para atendimento médico sem raio‑X feito na ocasião.
Após o acidente, o médico orientou descanso, mas houve pressão para retornar ao trabalho com tarefas leves. Alega que recebeu sinais contraditórios sobre a recuperação, com mudança de notas médicas para permitir o retorno.
Valenzuela passou por tratamento adicional no México e, depois, por cirurgia para hérnia de disco. Ele afirma continuar com dor, fraqueza e redução de sensibilidade na perna esquerda, além de depender de medicação e fisioterapia.
O ex‑funcionário afirma ter recebido propostas de resignação por parte da empresa, ainda que precisasse do emprego para custear a recuperação. Segundo ele, uma seguradora ligada à Uline negou benefícios adicionais relacionados ao caso no Wisconsin.
A reportagem aponta que a Uline não respondeu a perguntas detalhadas sobre o programa de shuttle. Em notas anteriores, a empresa não confirmou nem negou o uso do esquema, mantendo posição de não comentar.
Um segundo ex‑colaborador, também americano, confirmou a divisão de tarefas em favor dos trabalhadores mexicanos, mencionando jornadas de trabalho estendidas para treinar novas máquinas, sem benefícios proporcionais aos demais.
Além do relato individual, o material revisado indica que os trabalhadores mexicanos teriam recebido salários inferiores aos diretos equivalentes nos EUA, conforme informações já reportadas pela imprensa. A organização envolvida não divulgou dados oficiais.
O tema envolve políticas de imigração, condições de trabalho e responsabilidade corporativa. A história recente levanta questões sobre a aplicação prática de programas de mobilidade laboral em grandes empresas privadas, sob escrutínio público.
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