O mercado financeiro e imobiliário brasileiro se orienta para a possibilidade de queda da Selic, ainda que a taxa permaneça elevada em curto prazo. Analistas apontam que o ciclo de cortes pode destravar valor em ativos de risco, com impulso para FIIs de tijolo, crédito imobiliário e setores ligados ao varejo de imóveis. O tema é central para 2026, com cenário de maior complexidade financeira.
Bancos e gestores avaliam caminhos distintos. Enquanto XP recomenda alocação entre FIIs para renda mais estável e incorporadoras para quem busca capitalização, Santander aponta maior atratividade dos ativos de tijolo diante de juros menores. Itaú BBA adota cautela, destacando que a taxa terminal pode ficar acima de 12% em 2026, mantendo relevância de fundos de dívida atrelados ao CDI.
Impacto no crédito
A Abecip aponta que a primeira queda da Selic tende a ampliar o acesso ao crédito imobiliário, sustentando expectativa de crescimento de 16% do setor em 2026. Desde o final de 2025, bancos reduziram gradualmente taxas de financiamento, com liberação de recursos do compulsório, desde que haja controle inflacionário estável. Modelo de crédito ganha fôlego conforme o ciclo avança.
Gestão de fortunas e impactos setoriais
Gestores de fortunas destacam impactos da reforma tributária, que pode tornar holdings e SPEs menos atrativas para aquisição de imóveis, favorecendo fundos imobiliários como veículo mais eficiente. Há ainda a possibilidade de uso de FIDC imobiliário para estruturar dívidas com lastro imobiliário, ampliando opções de investimento.
João Arthur, da Suno, ressalta que a Selic baixa destrava crédito para famílias de classe média, enquanto investidores de alta renda tendem a realocar para imóveis e FIIs para manter rentabilidade. Em 2026, o calendário eleitoral e eventos como a Copa do Mundo são vistos como fatores que impulsionarão movimentos de liquidez e volumes no mercado.
A Brookfield e a Portofino destacam que o ambiente de juros pode desencadear fluxos relevantes de capital, mesmo diante de um cenário político-econômico agregado. O verão do crédito pode sustentar a demanda por imóveis prontos e pela rotação para ativos de risco.
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