O governo brasileiro elevou, no início de fevereiro, o imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo smartphones, com o objetivo de tornar itens estrangeiros mais caros e impulsionar a competitividade da indústria nacional. A medida afeta itens diversos, conforme divulgação oficial, mas não atinge os celulares já produzidos no país.
Segundo o governo, o aumento pode chegar a 7,2 pontos percentuais em alguns casos. A ideia é reequilibrar preços entre produtos importados e nacionais, reduzindo a dependência externa do setor de eletrônicos. A Fazenda afirma que a cobrança também contempla tarifa zero para componentes usados pela indústria que não tenham produção local equivalente.
Fabricação local e cenário de mercado
Empresas como Samsung, Motorola e Apple já montam celulares no Brasil, o que mitiga o efeito direto sobre os aparelhos comercializados localmente. A participação de modelos montados por essas marcas, com componentes importados, explica a menor pressão sobre o preço final no varejo.
Especialistas apontam que marcas que não atuam com montagem local, como algumas fabricantes de origem chinesa, podem sentir mais o impacto. A Foxconn atua como montadora de iPhones no interior paulista, mas a Apple não opera fábrica própria no Brasil. A Xiaomi não respondeu ao questionamento sobre o efeito da medida.
Efeitos práticos e perspectiva de custo
Analistas destacam que o imposto de importação compõe o custo base do produto, elevando valores iniciais. Exemplo ilustrativo considera um smartphone importado avaliado em US$ 600, com câmbio de R$ 5, o custo poderia subir de forma significativa na etapa de importação, antes de margens e tributos internos.
O Ministério da Fazenda estima arrecadar cerca de R$ 14 bilhões adicionais neste ano com a elevação das tarifas, alavancando o objetivo de superávit fiscal. A medida também envolve a lista de itens afetados, que vai além de celulares e inclui máquinas, equipamentos industriais e componentes eletrônicos.
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