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Juízes atuam em Washington

Suprema Corte dos EUA veta tarifas abrangentes de Trump; Brasil é ganhador, mas incertezas comerciais permanecem

No longo discurso sobre o “Estado da Nação”, na noite da terça-feira 24, o republicano dividiu salomonicamente os ataques entre a oposição democrata e os magistrados do tribunal que limitaram o uso de tarifas como arma de chantagem internacional. Foi o primeiro grande não aos delírios imperialistas – Imagem: Kenny Holston/AFP e iStockphoto
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Em decisão histórica, a Suprema Corte dos EUA limitou o tarifaço de Donald Trump, decidido em 2025 pela Administração de forma ampla. A Corte rejeitou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para impor tarifas sem aprovação legislativa, em 6 votos a 3. O governo terá 150 dias para ajustar a alíquota, hoje em 10% com possibilidade de chegar a 15%.

O efeito imediato é frear a estratégia de pressão comercial dos EUA sobre parceiros. O tribunal considerou que a base legal não sustenta tarifas abrangentes sem o aval do Congresso. Analistas indicam que o recuo reduz a capacidade de chantagem econômica, ao menos temporariamente, e muda o tom da política externa.

A decisão também é interpretada como impacto direto nas negociações com o Brasil. O Ministério do Desenvolvimento destacou que, com as mudanças, cerca de 25% das exportações brasileiras para os EUA ficariam sujeitas a tarifas de 10% ou 15%, contra 22% antes. Em contrapartida, 46% ficariam isentas e 29% teriam sobretaxas setoriais.

Entre as leituras dos especialistas, o recuo facilita o espaço de manobra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro com o colega americano agendado para março. O governo brasileiro busca zerar tarifas sobre exportações, alinhando-se a acordos estratégicos com outros parceiros, como a Índia, no uso de minerais críticos.

No campo econômico, os efeitos das tarifas permanecem incertos. Dados oficiais mostram que a arrecadação de 175 bilhões de dólares gerados pelas tarifas ainda depende de pedidos judiciais para ressarcimento. Indústria manufatureira americana reduziu o quadro de estabelecimentos entre 2024 e 2025, segundo IBISWorld.

Geopoliticamente, especialistas ressaltam que a medida temporária não encerra a agenda protecionista. Pesquisadores indicam que as tarifas afetaram a credibilidade dos EUA como parceiro comercial confiável e reduziram a participação do país no comércio global. A visão de longo prazo aponta para uma reconfiguração de alianças com Brasil, Índia e outros emergentes.

No espera de novas diretrizes, a Casa Branca sinalizou que poderia reconstruir a política tarifária sob bases jurídicas alternativas. O prazo de 150 dias expira sem garantias de continuidade, elevando a incerteza para investidores e para negociações internacionais, incluindo o rumo das relações com o Brasil e demais parceiros comerciais.

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