O petróleo manteve ganho expressivo nesta segunda-feira, ainda que tenha recuado de máximas intradiárias. Brent passou de US$ 119 o barril e US$ 108,2 no fim de manhã em Singapura, com alta em torno de 16%. O WTI operava em US$ 105,13, queda modesta em relação ao pico, mas ainda acima de US$ 119 intradiário. O rali ocorre em meio a reduções de oferta por grandes produtores e a preocupações com interrupções no transporte durante o conflito entre EUA e Israel contra o Irã.
O mercado acompanha cortes de produção na região e maior risco de atrasos no escoamento de petróleo. O estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, volta a ser o foco, após ataques e ataques a instalações no Oriente Médio. Murmúrios de interrupções logísticas elevam a percepção de aperto global nos Brent e no WTI.
A volatilidade também foi influenciada por relatos de queda de produção no Iraque e no Kuwait, além de reduções de gás natural líquido anunciadas pelo Catar, na esteira do bloqueio das exportações na região. Analistas estimam que Emirados Árabes e Arábia Saudita também possam cortar produção em breve por esgotamento de estoques.
Foram registradas interrupções operacionais em refinarias, como no Bahrein, onde a Bapco declarou força maior após ataques recentes. No território dos Emirados, um incêndio na zona industrial de Fujairah foi atribuído a detritos, sem feridos, enquanto a Defesa da Arábia Saudita afirmou ter interceptado um drone direcionado ao campo Shaybah.
Contexto geopolítico e impactos
A nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã elevou a percepção de continuidade da linha dura no país. Analistas apontam que o regime pode manter o fechamento do Estreito de Hormuz e ampliar ataques a instalações de outros produtores. Variações no cenário regional ajudam a sustentar a pressão de alta nos preços.
Especialistas indicam que o conflito pode exigir semanas ou meses de reajustes de preços, mesmo que o conflito tenha fim rápido. A disponibilidade de petróleo pode permanecer restrita devido a danos a instalações, logística prejudicada e riscos de transporte elevados.
O Iraque informou queda de produção para 1,3 milhão de barris por dia em seus campos do sul, refletindo a fragilidade das exportações pela região. A Basra Oil Company afirmou que seus estoques de crude atingiram a capacidade máxima. Kuwait e Arábia Saudita também adotaram medidas de contenção para regular produção e exportação.
O mercado aguarda movimentos adicionais, com gestores de fundos e analistas monitorando possíveis liberações de reservas estratégicas. A reação aos próximos comunicados oficiais sobre o abastecimento pode prolongar o momento de aperto ou trazer algum alívio temporário. Puntualizações sobre o andamento da crise continuam a influenciar as estratégias de hedge e de compra de composições de referência.
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