Após a escalada de preços do petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio, bancos revisaram suas projeções sobre a Selic. A XP passou a prever manutenção da taxa básica, sinalizando uma abordagem mais cautelosa pelo Copom. Outros bancos, como Itaú, Goldman Sachs, BNP Paribas, Bank of America, Santander e BTG Pactual, projetam corte de 0,25 ponto percentual.
A mudança reflete um cenário externo mais volátil e dados domésticos ainda assimmendente da meta. A XP ressaltou que o fluxo de dados desde a última reunião do Copom deteriorou o quadro inflacionário.
Projeções revisadas
Para o BNP Paribas, o Copom pode adiar o início do afrouxamento para a reunião de abril, quando há mais clareza sobre atividade doméstica e geopolítica. O Itaú, Goldman Sachs, Bank of America, Santander e BTG Pactual passaram a estimar queda de 0,25 pp na próxima decisão.
O BTG descreveu que o choque no petróleo justifica um ciclo de aperto mais conservador, com recuo de 0,25 pp e sinalização de continuidade do ciclo conforme o cenário evolua. O preço do Brent subiu cerca de 40% desde o início do conflito, superando US$ 100 por barril.
Cenário de mercado
O mercado precifica menor chance de corte maior, com juros futuros apontando 21 pb de recuo na segunda-feira, ante 48,3 pb antes da guerra, segundo a Bloomberg. O Copom indicou, em janeiro, que pretende cortar a Selic em março se o cenário colaborar.
O BC enfatizou manter a “restrição adequada” para convergir a inflação à meta, com serenidade no ritmo e na magnitude do ciclo. Em 5 de janeiro, o diretor Nilton David indicou que a calibragem dos juros segue válida, com análise cuidadosa dos próximos passos.
Contexto institucional
Relatórios de analistas do Santander e de outros bancos destacaram que o guidance de janeiro pode criar custo de credibilidade caso haja choque externo relevante. A combinação desse choque com o conservadorismo inicial do ciclo é apontada como limitadora de quedas maiores.
A cobertura deste tema acompanha o movimento de bancos globais e as expectativas sobre a condução da política monetária brasileira diante de fatores geopolíticos e indicadores domésticos.
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