Na véspera da Super Quarta, investidores reavaliam a trajetória de juros no Brasil e nos EUA. A alta do petróleo a US$ 100 por barril alterou cenários de inflação e elevou a chance de menos cortes ainda neste ano. Copom e Fomc divulgarão decisões em 18 de março, em Washington e no Brasil, com impactos na inflação e no crescimento.
No Brasil, o Copom avalia o início de um ciclo de cortes da Selic. A expectativa mudou após o ataque ao Irã, que elevou a incerteza e pressionou as projeções de inflação. A aposta para a quarta reunião variava entre quedas de 0,25 pp e 0,50 pp, com maior cautela diante de pressões externas.
Nos Estados Unidos, o Fomc também é tema de revisão de cenários. O Federal Reserve manteria os fundos na faixa de 3,50% a 3,75% e sinalizaria um possível corte, ainda que remoto, para junho. O choque geopolítico elevou a incerteza sobre a trajetória monetária.
Mudança nas expectativas
Dados de mercados indicam mudança relevante nas probabilidades. Em 13 de março, a chance de manter os juros nos EUA subiu, enquanto o corte de 0,25 pp ganhou espaço, chegando a 53%. A possibilidade de não cortar na próxima reunião ganhou força, e a probabilidade de manutenção elevou-se para 25%.
Na prática brasileira, contratos de Copom na B3 já precificavam corte de 0,50 pp em 26 de fevereiro, antes do conflito. Em 13 de março, a probabilidade de corte menor de 0,25 pp subiu para 53%, e a de 0,50 pp caiu para 23%. A hipótese de manutenção tornou-se mais provável.
Conjuntura internacional
Economistas avaliam que o cenário externo pesa mais neste momento. Gustavo Sung, da Suno Research, aponta espaço para 0,50 pp de redução no Brasil, mas com a inflação ainda conflituosa em serviços e com expectativas altas. A atividade aponta moderação e inflação ainda acima da meta em alguns componentes.
Para o FED, a incerteza global mantém o debate sobre o ritmo de cortes. O Goldman Sachs projeta dois cortes de 0,25 pp em 2026, com datas revisadas para setembro e dezembro. Dados dos EUA mostram frustração na inflação, ainda acima da meta, e crescimento desacelerado no fim de 2025.
Perspectivas finais
O conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, criando um choque de curto prazo. O BC pode iniciar cortes, mas considera impactos externos na inflação. Nos EUA, o Fed observa o cenário geopolítico e a inflação para decidir o ritmo de normalização.
O que se espera é uma Super Quarta marcada pela redefinição de expectativas. Juros, câmbio e petróleo devem seguir como vetores centrais, com impactos relevantes nos ativos e nas projeções de inflação para 2026.
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