O negócio de special situtations do BTG Pactual ganha relevância estratégica, segundo relatório do JP Morgan. A área tem implicado receitas significativas, estimadas entre 1 bilhão e 1,5 bilhão de reais no último ano, principalmente por créditos do FCVS. Esses ativos derivam de dívidas do Tesouro Nacional com bancos credores.
A análise aponta que o BTG passou a beneficiar-se ao adquirir bancos quebrados — Nacional, Besa e Sistema —, que eram credores originais desses créditos. Essas operações são geridas pela área de special sits e envolvem interlocução com o Banco Central, com participação pessoal de André Esteves.
Estimativas do JP Morgan indicam que o BTG ainda pode receber entre 800 milhões e 1,4 bilhão de reais em 2026, oriundos desses créditos. Os analistas destacam que ganhos não recorrentes podem tornar-se recorrentes, contribuindo para o desempenho de corporate lending.
Desdobramentos e números-chave
A divulgação do banco Nacional, Econômico e Sistema revelou que esses ativos representaram um terço dos resultados do BTG no quarto trimestre, sendo o Nacional responsável por cerca de 26%. Os especialistas ressaltam que a métrica contábil pode não retratar plenamente a situação, devido a possíveis ajustes de lucros por vantagens fiscais nas subsidiárias.
Os FCVS são recebíveis do Tesouro ligados a hipotecas residenciais de décadas passadas, com saldos residuais por desajustes de indexação. No balanço, os créditos aparecem com desconto, refletindo riscos de pagamento. O BTG registra receitas por correção anual aproximada de 6%, ajustes de marcação a mercado e reversões de provisões.
Segundo o JP Morgan, as aquisições de Nacional, Besa e Sistema somaram cerca de 14 bilhões de reais em créditos FCVS ao balanço do BTG, com aproximadamente 4 bilhões ainda pendentes. A previsão é de que a maior parte da receita seja reconhecida ainda neste ano, caso acordos com o Tesouro sejam concluídos até o fim de 2026.
Cenários de receita e projeções
O banco simulou dois cenários para a transformação dessas receitas: conversion de 27% do total, equivalendo a 1,1 bilhão de reais, ou 45% com reversão de provisões, chegando a 1,8 bilhão. No entanto, os analistas ressaltam que faltam dados do Banco Central para o quarto trimestre e que parte do desempenho pode já ter sido reconhecida, sobretudo pelo Nacional.
Caso se exclua parcialmente um trimestre, o JP Morgan estima que o EBT futuro ajustado a ser reconhecido ficaria entre 800 milhões e 1,4 bilhão de reais em 2026. O estudo reforça que o FCVS, ainda que potencialmente limitado, tem contribuído para o desempenho do BTG e pode influenciar o ritmo de melhoria no rendimento de crédito corporativo.
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