A gestão de Dario Durigan à frente do Ministério da Fazenda inicia em meio a tensões políticas e a investigações envolvendo o Banco Master. O novo ministro assume em meio a debates sobre ajuste fiscal, regulação de “big techs” e reedição de programa para atrair investimentos em data centers. A equipe econômica sinaliza foco em desenvolvimento e medidas microeconômicas no Congresso, adiando temas complexos.
Durigan, que substitui Fernando Haddad, chegou ao posto nesta sexta-feira. A posse ocorreu após Haddad deixar o cargo para concorrer ao governo de São Paulo. Na próxima segunda, membros da pasta devem se reunir para alinhar planos e prioridades da nova gestão.
A estratégia inicial envolve “segurar” agendas polêmicas que podem gerar turbulência legislativa ou reação pública. Entre as pautas sob avaliação estão a revogação da isenção tributária para títulos de investimento, a regulamentação do Imposto Seletivo sobre bens nocivos e a taxação de criptoativos.
Segundo fontes, o Imposto Seletivo pode avançar apenas após as eleições de outubro, com discussão prevista por meio de medida provisória para evitar impactos eleitorais. Ainda não há definição de alíquotas nem lista de produtos atingidos.
No caso dos criptoativos, a ideia é manter a discussão em segundo plano neste momento. O Banco Central equiparou operações de cripto a câmbio, e a Fazenda tem uma consulta pública em andamento para guiar futuras cobranças.
A agenda de Durigan também prevê avanços microeconômicos, como regras de atuação de reguladores em instituições financeiras em crise. A medida pode avançar após retirada de trecho que previa apoio do Tesouro a bancos.
Entre as prioridades também estão a regulação econômica das “big techs” e a reedição de programa de atração de investimentos em data centers, que dependerá de ajustes fiscais. Também está em estudo estimular o crédito e temas de produtividade.
Paralelamente, a Fazenda discute iniciativas para reduzir supersalários no serviço público. Uma proposta prevê lista restrita de rendimentos permitidos fora do teto e um teto de ganhos acima do teto remuneratório.
Durigan assume com a missão de sinalizar desenvolvimento econômico e responsabilidade fiscal. Uma das leituras internas é promover um plano consolidado do governo para estimular o ambiente de negócios, inovação e eficiência.
A imprensa acompanha o desdobramento das negociações com o Congresso, em meio a tensões geradas pelo escândalo envolvendo o Banco Master e as eleições. As medidas microeconômicas devem ganhar prioridade na fase inicial da gestão.
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