O preço do petróleo deve permanecer acima de US$ 100 por barril nos próximos meses, independentemente de um eventual cessar-fogo no Oriente Médio. A avaliação é de Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da ABESPetro, em entrevista à CNN Brasil. Ele diz que, no curto prazo, é quase impossível reverter o quadro atual.
Ghiorzi aponta que os fatores geopolíticos que alimentam o conflito seguem presentes. Segundo ele, o Irã demonstrou capacidade militar acima do esperado, o que fortalece o controle sobre o Estreito de Hormuz e, por extensão, sobre o tráfego no Mar Vermelho.
Essa situação, segundo o executivo, pode impactar entre 20% e 30% do petróleo mundial por questões logísticas, mesmo com a disponibilidade de reservas ainda expressivas no mundo. A logística seria afetada pela continuidade das operações militares.
Contexto e comparação com conflitos recentes
O presidente da ABESPetro afirma que o cenário atual tem efeito mais intenso sobre os preços do que a guerra na Ucrânia. Ele lembra que a Ucrânia não é grande produtora de petróleo, diferentemente da Rússia, o que influencia o calor do debate sobre oferta global.
Ghiorzi alerta que o mundo pode enfrentar uma crise semelhante às grandes quedas de preço ocorridas em 1973 e 1989, sem que ainda haja clareza sobre a magnitude da atual guerra. O valor de referência de US$ 110 por barril pode não refletir toda a extensão do choque.
Perspectivas de investimento e caminhos para o curto prazo
Mesmo diante da volatilidade, o executivo afirma que governos e empresas não devem agir de forma precipitada para buscar grandes novas reservas. O foco deve ser em manter produção a custos baixos e evitar esperanças de permanência de patamar elevado de preços.
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