Com a emergência climática, o Brasil reconhece que gênero, renda e violência não são temas secundários da adaptação. A COP30 evidenciou o descompasso entre discurso e prática: mulheres aparecem como centrais, mas ficam sem recursos, decisão e escala.
Desastres avançam e afetam mais meninas e mulheres. Mesmo assim, seguem como coadjuvantes na locução oficial sobre terra, trabalho e território. A reorganização de quem decide ainda é insuficiente para mudar fluxos de poder.
A Estratégia Transversal Mulheres e Clima (ETMC), lançada em 16 de março dentro do Plano Clima 2024–2035, sinaliza avanço ao ampliar o debate. Não é apenas reduzir emissões: aponta para autonomia econômica, enfrentamento à violência e participação política. Contudo, mudanças reais dependem de recursos.
Desigualdades persistentes na política climática
O financiamento climático cresce, mas continua concentrado na mitigação. A adaptação permanece à margem, com mulheres ainda mais fora dos circuitos formais de apoio. Falta dados com recorte de gênero, que hoje indicam desigualdade estrutural no acesso a crédito, ativos e assistência.
Nos territórios vulneráveis, mulheres garantem alimento, cuidado e manejo de recursos naturais, porém com menos proteção e limitações de acesso. Autonomia econômica não é apenas agenda social: é requisito essencial para a adaptação sustentável frente a choques.
Nos pequenos negócios, a participação feminina é frequente, mas eles enfrentam descontinuidade de mercados, financiamento e cadeias de valor. Muitas iniciativas dependem do trabalho das mulheres para manter a resiliência local.
Avanços da agenda e o que falta para a prática
A ETMC aponta para mudanças de ordem estrutural ao associar financiamento, proteção e participação política. Ainda assim, a implementação depende de transformar diretrizes em acesso concreto a crédito, mercados e assistência técnica.
Especialistas destacam que a transformação requer dados de gênero robustos, políticas públicas com recorte de gênero e recursos suficientes para ações de segurança, proteção e apoio técnico. Sem esses elementos, a transição perde escala e eficácia.
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