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Oncoclínicas remarca tratamentos e negocia com fornecedor por crise de caixa

Crise de liquidez força Oncoclínicas a remarcar tratamentos e negociar com fornecedores, com monitoramento de abastecimento e possível venda de ativos

Fachada da Oncoclínicas no Humaitá, Rio de Janeiro: maior rede de tratamento oncológico do Brasil enfrenta crise de liquidez, que afeta operações com remarcações de atendimento
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Diante de dificuldades financeiras, a Oncoclínicas tem atrasado o fornecimento de quimioterápicos e outros medicamentos oncológicos em diversas unidades. Pessoas próximas à operação afirmam que parte dos itens foi remarcada ou suspensa, com fornecedores restringindo o abastecimento por receio de inadimplência. A empresa diz estar implementando um processo de otimização financeira, com impactos temporários no abastecimento.

Secretaria de informações aponta que tratamentos de quimioterapia, imunoterapia e imunobiológicos foram afetados em várias regiões. Pacientes tinham consultas ou sessões adiadas, sem previsão de retorno imediato, segundo fontes da rede. A empresa afirma que mantém diálogo com parceiros para normalizar o abastecimento.

A companhia comunicou à Bloomberg Línea que conduzia o processo de reorganização financeira, com monitoramento de estoques e priorização assistencial para casos de maior gravidade. A Oncoclínicas não detalhou quantos pacientes seriam impactados.

Fornecedores e relação de crédito

Um dos principais fornecedores é a Oncoprod, distribuidora do Grupo SC. Segundo uma fonte, não houve suspensão formal, mas o crédito rotativo da relação está tensionado. A empresa teria atingido o limite de exposição com a Oncoclínicas e liberaria novas remessas conforme pagamentos.

A Oncoprod não respondeu ao pedido de comentário. A companhia informou à CVM que a reestruturação ocorre sem impacto na qualidade assistencial, conforme documento de assembleia com credores. A Oncoclínicas tem 144 unidades em 47 cidades, segundo o balanço do terceiro trimestre de 2025.

Contexto financeiro e negociações

A Oncoclínicas adiou a divulgação do balanço para 9 de abril. A posição de caixa é estimada em pouco menos de R$ 100 milhões. A dívida bruta está em R$ 4,8 bilhões, conforme avaliação da Fitch, que reduziu o rating devido à liquidez.

Analistas acompanham a possível venda de ativos para uma joint venture controlada por Porto e Fleury, avaliada em R$ 500 milhões. Existem riscos, como descredenciamento de planos de saúde e governança entre as partes.

Cenários e próximos passos

A empresa convocou debenturistas para pedir waiver caso o índice de alavancagem ultrapasse o limite contratual. Caso aprovado, a dívida não entraria como inadimplência no balanço. Se não houver quórum, poderá haver nota explicativa ou standstill.

O MAK Capital e a Latache pressionam pela governança e por alternativas de-injeção de recursos. A estrutura acionária inclui o Josephina III, Centaurus e outros, com participação pulverizada entre acionistas não identificados. A fatia do BRB está sob liminar que impede movimentação.

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