As moedas latino-americanas devem registrar perda de valor em abril, aponta levantamento da Reuters com estrategistas de câmbio. O enfraquecimento ocorre mesmo diante de tensões geopolíticas no Oriente Médio e de defesas de políticas monetárias por autoridades locais.
Segundo a pesquisa, o real brasileiro e o peso mexicano conseguiram evitar grande impacto inicial diante da turbulência nos mercados emergentes dependentes de petróleo. Analistas indicam que o efeito pode ficar contido no curto prazo, diante da rigidez prevista nas políticas monetárias.
A expectativa de uma política monetária mais firme sustenta o cenário. Bancos centrais do Brasil e do México sinalizaram cautela no começo da semana, contribuindo para a percepção de maior controle sobre futuras desvalorizações.
O enfraquecimento do dólar como ativo seguro é visto como fator de apoio para as divisas da região. Mesmo com o conflito no Oriente Médio, os estrategistas apontam que juros reais mais elevados ajudam a sustentar as moedas locais.
Para o dólar, a estimativa mediana entre 28 analistas aponta queda do real para 5,25 por dólar em um mês, frente a 5,18 na terça-feira (31). Já o peso mexicano é esperado em 18,06 por dólar, 0,7% acima.
Erick Martinez, estrategista do Barclays, destaca que o real pode ter melhor desempenho por ser exportador líquido de petróleo, com juros reais elevados. O Brasil iniciou em março um ciclo de ajuste monetário com corte de 25 pontos-base na taxa básica.
Apesar da redução, a Selic permanece em 14,75%, bem acima da meta do Federal Reserve, entre 3,50% e 3,75%. A taxa norte-americana deve permanecer alta pelo menos até setembro.
Para o México, Martinez ressalta que o ciclo de flexibilização pode expor o peso a riscos se o banco central adotar uma postura mais dovish. Recentemente, o Banco do México reduziu a taxa para 6,75% em votação dividida.
No horizonte de 12 meses, a projeção para o real ficou em 5,34 por dólar, uma queda de 3%, e para o peso, 18,10 por dólar, queda de 0,9%. Previsões negativas para o próximo ano refletem preocupações com o USMCA e a eleição no Brasil.
Entre os entrevistados, há divergência sobre o cenário para o real: parte vê mais fraqueza, parte permanece neutra e poucas projeções indicam ganho. Em relação ao peso, a maioria espera desvalorização adicional.
Até o momento, o peso mexicano acumula alta de 0,4% no ano, enquanto o real registra ganho de 5,8% no mesmo período.
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