A demanda global por cobre deve crescer de forma acelerada nos próximos anos, impulsionada pela eletrificação da economia e avanços tecnológicos. Brasil, com reservas relevantes, pode ganhar espaço nesse cenário.
O cobre é essencial para transmissão de energia, redes elétricas, veículos elétricos, turbinas, painéis solares, baterias, eletrônicos e infraestrutura digital. Mesmo a IA tende a aumentar o consumo, devido à energia dos data centers.
A IEA alerta para déficit de oferta de até 30% até 2035, caso novos projetos não avancem. Os preços já refletem essa pressão, com o cobre acima de US$ 14,5 mil a tonelada em jan/2026, após romper US$ 12 mil em dez/2025.
No Brasil, a produção representa ~1% do mercado global, com minas concentradas no território nacional. Estudo do Ibram aponta expectativa de investimentos de US$ 8,6 bilhões no setor até 2030.
Pará segue como principal polo, abrigando minas como Sossego e Salobo, em Carajás. Goiás figura como segundo maior produtor, com Chapada, e Serrote, em Alagoas, iniciou operações em 2021.
Apesar da participação ainda menor no ranking mundial, autoridades do setor veem potencial para ampliar a produção brasileira, diante de grandes reservas e projetos em andamento.
Potencial para novas descobertas
O Serviço Geológico do Brasil aponta o cobre entre prioridades estratégicas, com foco em Carajás. Outras regiões, como Vale do Curaçá (BA) e Arco Magmático de Goiás, também apresentam potencial para novos depósitos.
Há áreas menos exploradas, como Rondônia–Juruena–Teles Pires e Tapajós, consideradas promissoras para futuras descobertas de cobre, segundo o Panorama Nacional do Cobre.
O governo ressalta que essas áreas podem ampliar a produção nacional, reforçando o papel do Brasil no mercado mundial de cobre, ao lado de Chile, Peru e RDC.
Um dos projetos mais aguardados é Furnas, da Ero Copper em parceria com a Vale. Estudos preliminares indicam uma vida útil de 24 anos e produção média anual de 108 mil t de cobre equivalente nos primeiros 15 anos.
O plano de Furnas prevê produção anual de cerca de 70 mil t de cobre, com ouro e prata como subprodutos, ajudando a reduzir custos. Investimento inicial estimado é de US$ 1,3 bilhão.
Vale aposta no cobre
A Vale anunciou investimentos de US$ 3,5 bilhões até 2030 para ampliar a produção de cobre em Carajás, Pará. A meta é quase dobrar a produção até 2035, para aproximadamente 700 mil t/ano.
Em entrevista durante o PDAC, o CEO Gustavo Pimenta afirmou que o cobre deve ser um pilar da estratégia futura da empresa, destacando a necessidade de crescer a oferta global.
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