A Fitch Ratings rebaixou nesta terça-feira (7) a Oncoclínicas, classificando-a em RD(bra), o que aponta para inadimplência restrita. A razão foi o adiamento do pagamento de juros de duas emissões de debêntures, aprovado pelos credores, com pagamento remarcado para 1º de junho. A empresa enfrenta dívida bruta de 4,8 bilhões de reais e dificuldade de caixa.
A nota indica que a empresa deixou de honrar uma obrigação específica, mas continua operando. A Fitch considera que a única via para recuperação é uma reestruturação formal da dívida. Se houver recuperação judicial ou encerramento, o rating cairá ao nível de calote pleno.
Além do rating, a Oncoclínicas atrasou a divulgação das demonstrações financeiras de 2025, previstas para 31 de março e remarcadas para 9 de abril. A crise de governança se evidencia com a renúncia do presidente do conselho, Marcelo Gasparino da Silva, e a entrada de novo elenco em assembleia marcada para 30 de abril.
Crise de governança e composição acionária
O fundo MAK Capital Fund LP, que detém 6,3% do capital votante, acionou mudanças no Conselho. Foram indicados quatro candidatos a conselheiros, condicionando aporte de recursos à eleição de seus nomes. O cenário é agravado pela cobrança de 494 milhões de reais bloqueados em ativos no Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo BCB, com recursos classificados como caixa restrito pela Fitch.
Dívida e condições de liquidez
A dívida bruta está distribuída entre debêntures (48%), certificados de recebíveis imobiliários (32%), empréstimos bancários (13%) e aquisições (7%). Em setembro de 2025, a empresa possuía 218 milhões de reais em caixa, frente a 1,1 bilhão de reais de obrigações de curto prazo. A Fitch estima geração de caixa operacional negativa de aproximadamente 600 milhões em 2025 e 200 milhões em 2026.
O que falta para sair do RD
A agência aponta que apenas com uma reestruturação formal a nota pode ser recuperada. Até lá, o rating permanece sob vigilância, com risco de calote pleno caso haja agravamento da situação financeira ou intervenção judicial. A Oncoclínicas afirmou que todos os detalhes sobre a assembleia serão comunicados aos acionistas.
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