O número de inadimplentes no Brasil atingiu 81,4 milhões em fevereiro de 2026, segundo o Serasa, o maior patamar desde 2020. O governo lançou o programa Desenrola 2.0 para enfrentar o problema.
Em entrevista à CNN 360°, Andrea Bastos, economista-chefe da BuySide Brasil, avaliou que os efeitos possuem fôlego curto e não resolvem as causas estruturais da inadimplência.
Ela explicou que, para reduzir o endividamento, é essencial o acesso a crédito mais barato sem depender de gasto público ou chancela do governo nas novas dívidas, dependendo de o Banco Central reduzir a taxa de juros.
Para Bastos, a taxa Selic é o instrumento principal para alcançar a meta de inflação, mesmo que ele amplie o comprometimento de renda das famílias. O banco precisa manter o remédio amargo para controlar a inflação.
A especialista reconhece que a alta de juros impacta o orçamento das famílias, elevando o custo do crédito. Ainda assim, afirma que esse é o canal tradicional da política monetária para influenciar inflação e expectativas.
Segundo Bastos, a solução de longo prazo passa por ajustes estruturais na economia, tanto na esfera fiscal quanto na reancoragem das expectativas de inflação, para reduzir o endividamento de forma sustentável.
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