A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, afirma que há sinais de choque de oferta refletidos em alguns preços devido à guerra no Oriente Médio. Ela aponta que, apesar disso, a inflação tende a ser transitória e não deve alterar a rota de cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central.
Segundo Vitória, o cenário atual apresenta demanda desaquecida no Brasil e juros já em patamar restritivo. Esses fatores ajudam a evitar que o aumento de preços contamine a economia como um todo.
O petróleo encerrou a semana próximo de US$ 95 o barril, mantendo incertezas sobre a duração do conflito e seus efeitos na oferta global. Caso o conflito se prolongue, os preços do petróleo podem subir ainda mais, segundo a economista.
Inflação de alimentos e câmbio
A inflação de março, medida pelo IPCA, mostrou alta de 1,31% em alimentação fora ou em domicílio, conforme dados oficiais. Apesar disso, o Copom tende a considerar com menor peso itens de energia e alimentação ao avaliar a política monetária.
Vitória destaca ainda o papel do câmbio, que tem ajudado o Brasil a conter parte do impacto do choque de petróleo. O real tem contribuído para reduzir pressões inflacionárias oriundas de commodities.
Sobre a trajetória da Selic, a economista entende haver espaço para novas reduções, mantendo o tom cauteloso de 0,25 ponto percentual na última reunião. Mesmo com cortes, o diferencial de juros frente aos EUA permanece relevante para fluxos de capitais.
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