O terreno de Somerset, com visão do lado esquerdo para a usina nuclear de Hinkley Point em construção e, do direito, as alsas onduladas de Glastonbury Tor, abriga o futuro da indústria automobilística britânica. O espaço hoje é uma malha de estruturas de aço, com gruas e canais de drenagem.
A partir do próximo ano, será a Agratas, maior gigafábrica do Reino Unido, produzindo células para baterias de veículos elétricos. A instalação vai abastecer a frota de Jaguar Land Rover, impulsionando a cadeia doméstica de fornecimento.
A Jaecoo 7, SUV híbrido ou a gasolina, liderou as vendas no mercado britânico pela primeira vez. Junto a isso, marcas de origem chinesa já representam cerca de 15% dos carros novos vendidos no Reino Unido em 2026, frente a 1,3% há cinco anos.
A Posição do Governo tem sido de evitar pânico com a proximidade de importações chinesas, destacando benefícios para consumidores e oportunidades de empregos e investimentos. O ministro do Comércio, Peter Kyle, visitou o canteiro da Agratas para confirmar um grant de 380 milhões de libras.
O que significa o crescimento das importações chinesas
Kyle afirmou que o Reino Unido não deve impedir o acesso de consumidores a veículos de escolha e que não pretende distorcer o comércio, desde que não haja efeitos prejudiciais. Ele destacou interesse de chineses em montar fábricas no país, caso as condições sejam adequadas.
A indústria nacional tem enfrentado queda de produção, com o setor reduzido pela metade nos últimos dez anos. Questionamentos sobre competitividade local e questões de dados e segurança nacional acompanham o tema.
Agratas e a estratégia britânica de baterias
A Agratas aponta avanços em pesquisa sediada no Reino Unido para acompanhar a evolução tecnológica de baterias. A presença da fábrica facilita a exportação de veículos com baterias produzidas no país, especialmente para o mercado americano.
Além disso, a companhia pretende manter a Jaguar Land Rover exportação para os EUA com soluções de bateria fabricadas no Reino Unido, em um momento de competição global com a China.
Contexto geopolítico e o futuro da indústria
O investimento ocorre em meio a um cenário geopolítico em mudança rápida e à busca por resiliência econômica. Em 2020, Elon Musk visitou o mesmo terreno, considerado cenário para uma gigafábrica europeia, mas escolheu Berlim. O UK aposta numa cadeia doméstica mais forte.
Conforme o desenvolvimento avança, o Reino Unido passa a depender menos de fornecedores externos para componentes críticos, ao mesmo tempo em que se coloca na vanguarda da colaboração com o maior exportador automotivo mundial, a China.
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