O patrimônio das pessoas com mais de US$ 1 bilhão na América Latina cresceu quase 500% entre 2000 e 2026, segundo estudo do Observatório Fiscal Internacional (ITO). De US$ 117 bilhões, passou a US$ 700 bilhões em 26 anos.
O estudo, encomendado pelo governo brasileiro por meio da Plataforma Regional de Cooperação Tributária para a América Latina e o Caribe, aponta que o Brasil lidera a parceria. A plataforma está sob a presidência temporária de 2025 e 2026.
Segundo Gabriel Zucman, diretor do ITO, o aumento da riqueza extrema reforça a necessidade de tributos mais robustos para esse grupo. O pesquisador ressalta que a agenda de tributação já ganhou prioridade no Brasil e na região.
A coleta considerou riqueza divulgada pela Forbes e não ajustou pela inflação nos EUA desde 2000. Com correção pelo CPI, 2000 equivaleria a US$ 229 bilhões em 2026, elevando o ganho real para 206%.
A lista não incorpora novos bilionários criados após 2000. Caso alguém tenha US$ 515 milhões em 2000, já estaria acima de US$ 1 bilhão em 2026, mesmo que não estivesse na lista inicial.
Imposto sobre patrimônio
O estudo recomenda que pessoas com patrimônio superior a US$ 100 milhões paguem o Imposto Mínimo Efetivo sobre a Riqueza (Imer). A proposta inicial prevê 1% ao ano sobre o patrimônio, com a renda abatida do total.
Dados do ITO mostram variações: alíquotas de 2% e 3% foram simuladas, além de cenários com corte superior de US$ 1 bilhão. A ideia é tornar a tributação efetiva mais próxima da renda gerada.
Zucman afirma que bilionários costumam ter alíquotas efetivas menores, por meio de estruturas que reduzem a renda tributável. O estudo também projeta arrecadação para o Brasil.
A estimativa para o Brasil com 1% sobre patrimônio acima de US$ 100 milhões é de US$ 2,8 bilhões. Já com 3% o valor sobe para US$ 9,4 bilhões. Cenários para outros países latino-americanos também são apresentados.
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