A Rumo está propondo mudar uma cláusula do seu estatuto que restringe o direito de voto de acionistas a 20% do capital. A intenção é abrir caminho para a entrada de investidores estratégicos, diante da possibilidade de a Cosan, maior acionista da holding de ferrovias, buscar novas fontes de capital.
O mercado recebeu a proposta com atenção. A leitura de investidores é que a mudança facilitaria a participação de um investidor estratégico, caso a Cosan decida vender parte de sua participação, fortalecendo a estrutura de capital da Cosan.
A Cosan detém cerca de 30% do capital da Rumo, sendo 20% via ações e 10% por derivativos. O movimento pode permitir que esse investidor exerça 100% de poder de voto caso aumente participação sem ficar limitado por blocos acionários.
A retirada do limite precisa ser aprovada na assembleia de acionistas marcada para 28 de abril. A Cosan terá direito a voto na AGE, o que torna a aprovação da mudança mais provável.
Potencial impacto e contexto financeiro
A Cosan atua para reduzir o endividamento da holding. No final de 2025, a dívida líquida da Cosan ficou em 9,8 bilhões, após venda de ações na Vale e um follow-on de cerca de 10 bilhões com apoio de BTG e Perfin.
A ação da Rumo acumula queda de 12,4% nos últimos 12 meses, com a empresa avaliada em torno de 30 bilhões de reais na bolsa. A price disclosure atualiza a percepção de valor para investidores que buscam liquidez e governança.
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