O setor da construção civil já registra impactos de alta nos custos de insumos, impulsionados pela guerra no Irã. A elevação de preços afeta cimento, aço e resinas, além de encarecer itens importados. O aumento acompanha o disparo internacional de petróleo e fretes.
O Sinduscon-SP aponta reajustes recentes promovidos pelas cimenteiras, com alta de 12% no fim de março e mais 10% na semana passada. Os impactos revertem-se nos custos de argamassa, concreto e blocos usados em obras. A siderurgia projeta aumento de 8% no aço.
As resinas e polímeros, importados, registraram salto de 100% no início de abril, elevando o custo de tubos e conexões. O levantamento do Sinduscon-SP foi compartilhado com a Coluna. O presidente Yorki Estefan diz que a inflação na construção preocupa o setor.
Perspectivas e consequências no curto prazo
Segundo Estefan, a situação tende a piorar nas próximas semanas, com novos insumos em alta assim que estoques locais se esgotarem. Mesmo com fim do conflito, ele aponta demora para normalizar cadeias produtivas globais.
O sindicato deve realizar uma reunião extraordinária com diretores de compras para discutir medidas emergenciais. A ideia é identificar opções que mantenham o ritmo de obras diante da elevação de custos.
A queda de rentabilidade deve impactar lançamentos imobiliários. Projetos de classe média podem ficar inviáveis; no Minha Casa Minha Vida, o efeito é direto sobre margens de lucro. O custo maior pode levar a reajustes de venda.
Estefan alerta que o aumento dos custos já pode pressionar preços de imóveis na planta. Mesmo com fraca demanda, a pressão inflacionária tende a elevar valores de venda e a reduzir a margem das construtoras.
O contexto atual é comparado por ele a o que ocorreu na pandemia, quando houve desestruturação de cadeias de suprimento. Mesmo com fim do conflito, a normalização pode demorar, impactando custos e prazos de obras.
Entre na conversa da comunidade