O crime ambiental na Amazônia avança de forma integrada aos ganhos do crime organizado, ampliando desmatamento, degradação e risco de incêndios. O texto aponta como a combinação entre atividades ilegais e corrupção ameaça governança, investimentos e a própria estabilidade climática regional.
Especialistas alertam que o desmatamento, a degradação e as hotter temperaturas elevam a probabilidade de transições irreversíveis em trechos da bacia, sobretudo no leste e no sul. A área desmatada varia conforme a definição, chegando a percentuais relevantes para cenários de falha ecológica.
Um eixo de preocupação é a economia ilícita que se tornou parte central da Amazônia. Grupos criminosos vinculados a narcotráfico atuam em terras públicas, extraem madeira, promovem garimpo ilegal e traficam animais, além de ampliar atividades como extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro. Em diversas regiões, as atividades são coordenadas e transnacionais.
O garimpo ilegal de ouro é destacado como motor de lucro para redes criminosas, com facilidades proporcionadas por altas cotações do metal e instabilidade geopolítica. Dados de 2024 indicam que cerca de 25% do ouro circulante no Brasil teria origem ilícita; números semelhantes são observados no Peru, onde volumes expressivos das exportações advêm de fontes irregulares.
Essa dinâmica alimenta um ciclo de degradação ambiental e expansão de estruturas de poder paralelo. A presença de redes criminosas em territórios remotos substitui o papel do Estado, aumentando violência contra comunidades indígenas, líderes locais e defensores do meio ambiente.
Governo e governança
Recentes movimentos institucionais tratam de enfrentar esse cenário. No Brasil, o STF ordenou medidas mais severas de repressão a organizações criminosas na Amazônia, com ações conjuntas entre polícia federal, Ibama e órgãos estaduais. A decisão enfatiza a necessidade de presença reforçada em áreas fronteiriças.
Por outro lado, a resposta vai além da repressão. Iniciativas como a Derisking Amazonia, apoiada por bancos e institutos, defendem securização territorial aliada a oportunidades econômicas sustentáveis. Modelos de desenvolvimento com manejo de carbono e restauração podem gerar empregos e valor econômico, desde que haja governança robusta.
Caminhos e desafios
Para reduzir riscos, é essencial ampliar a segurança de tenure de terras, reconhecer direitos de povos originários e melhorar a rastreabilidade de cadeias produtivas. Transparência em cadeias de suprimento e fiscalização financeira ajudam a reduzir a lavagem de dinheiro de atividades ilegais em mercados legais.
Economias locais precisam de alternativas viáveis. Investimentos em educação, infraestrutura e serviços públicos fortalecem comunidades e reduzem a vulnerabilidade a recrutamento por redes criminosas. A integração entre proteção ambiental, desenvolvimento econômico e participação comunitária é apresentada como caminho-chave.
O texto destaca que a Amazônia, além de recurso natural global, abriga quase 50 milhões de pessoas, incluindo mais de 2,2 milhões de indígenas. Qualquer estratégia precisa considerar a realidade dessas territórios para evitar impactos sociais e promover uma economia socio-bioindustrial segura.
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