A Hapvida viu seu valor de mercado cair mais de R$ 80 bilhões desde o auge de 2021, com queda de cerca de 95%. As ações enfrentam o pior desempenho do Ibovespa nos últimos 12 meses, em meio a custos elevados e crescimento fraco.
A controladora, formada pela família fundadora, mantém o domínio, enquanto o CEO se prepara para sair e assumir assento no conselho. Um grande investidor vem pedindo mudanças na composição da diretoria, após uma sequência de resultados decepcionantes.
A recuperação passa pela venda de ativos adquiridos há quatro anos para acelerar expansão no Sudeste. A operação elevou o endividamento, e a ação reagiu apenas parcialmente à venda anunciada recentemente.
Mudanças na governança e fusões
A nomeação do CFO, não pertencente à família, indica reconhecimento de necessidades de ajuste na gestão. O atual CEO, Jorge Pinheiro, admitiu que os resultados ficaram abaixo do potencial, em carta divulgada na semana passada.
Analistas avaliam que a venda de ativos sozinha não resolve os problemas estruturais da empresa. A fusão com NotreDame Intermédica, concluída em 2021, é apontada como responsável por pressões de custos e desafios de integração.
A família controladora ampliou participação recentemente para 48,5% do capital, reforçando o controle. A atuação de outros acionistas, como a Squadra Investimentos, tem cobrado melhorias na governança e na condução estratégica.
Perspectivas e contexto de mercado
Especialistas destacam que, mesmo com sinais de recuperação pontual, a Hapvida enfrenta dificuldades ligadas à inflação e à competição com o SUS. O portfólio regional exige foco em áreas onde a empresa tem vantagem competitiva clara.
A falta de resposta clara aos desafios operacionais mantém a cautela de investidores. A empresa não comentou pedidos de entrevista ou esclarecimentos sobre as mudanças em curso.
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