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InterCement define planos após saída da UTI

InterCement sai da recuperação judicial, reestrutura passivos e mira capex entre quatrocentos e quinhentos milhões em 2027 para atingir nove milhões de toneladas

Os planos da InterCement após sair da UTI
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A InterCement saiu da UTI financeira após um longo processo de reestruturação. A empresa, que enfrentou dívidas elevadas e limitações de caixa, concluiu recuperação judicial em 2024 e iniciou a etapa de expansão com novo controle acionário e ajustes de passivos. O ritmo de investimentos volta a ganhar prioridade na gestão.

A mudança de controle ficou sob a liderança de Marcelo Mindlin, pela LATCEM, com participação de 39%, e das gestoras Redwood (25%) e Moneda Patria (23%). Os 13% restantes estão dispersos entre diversos bondholders. O conselho foi reformulado e o CEO é Sergio Faifman.

Novo momento e controle acionário

Para Faifman, a prioridade anterior era manter caixa e reduzir juros. Hoje, a pauta envolve produtividade, investimentos e crescimento. A empresa reconhece que precisou adiar investimentos e reduzir manutenção de plantas, o que impactou a produção.

A InterCement tem 14 plantas no Brasil. Quatro estão paralisadas e o plano é recuperar o ritmo com um *catch-up* rápido. O aporte de US$ 110 milhões dos novos acionistas entra como reforço de caixa.

Planos de capex e produção

Prevista uma alocação entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões em 2027, para manutenção e eficiência. O caixa próprio financiará parte dos investimentos, complementado pelo aporte externo. A empresa projeta chegar a 9 milhões de toneladas vendidas em 2026, ante 8,5 milhões no ano anterior.

Faifman aponta ganho de produtividade nas plantas atuais como caminho para crescimento de aproximadamente 10% sem grandes investimentos adicionais. Em três a quatro anos, o potencial de expansão pode chegar a 20% a 30%.

Desafios de mercado e regulações

O setor de cimento enfrenta alta nos custos de energia e frete. O coque subiu de US$ 70 para US$ 100 por tonelada, e o diesel impacta o frete, um dos maiores gastos. A empresa estima que 70% dos custos são variáveis, elevando a gestão de custos.

Além disso, uma mudança regulatória exige a substituição de sacos de 50 kg por embalagens de 25 kg até 2032, o que exigirá investimentos adicionais de até R$ 400 milhões apenas na InterCement.

Venda da Loma Negra e perspectivas

A Loma Negra, controlada pela InterCement com 52% do capital, deve ser vendida em curto prazo. Os recursos devem ser destinados ao pagamento de dívida vinculada à operação. O atual controlador pode ser Mindlin, por meio da LATCEM, ou outro comprador.

Faifman afirma que a venda tende a ocorrer rapidamente, independentemente de quem seja o vencedor. A gestão não antecipa aquisições estratégicas de alto porte, citando a CSN Cimentos como exemplo de oportunidade improvável no momento.

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